Drones e satélites Copernicus detetam pragas florestais

Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra lidera projeto europeu que recorre a drones e aos satélites de observação da Terra Copernicus para deteção remota de pragas florestais. Foi eficaz na deteção do nemátodo-da-madeira-do-pinheiro.

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Drones e satélites Copernicus detetam pragas florestais
Drones e satélites Copernicus detetam pragas florestais. Vasco Mantas, investigador do Departamento de Ciências da Terra da FCTUC. Foto: DR

Informação obtida através de imagens fornecidas, pelo programa europeu de satélites de observação da Terra Copernicus, e por drones, é eficaz na deteção precoce de pragas florestais, especialmente do nemátodo-da-madeira-do-pinheiro. O projeto europeu FOCUS é liderado por investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

“Num território florestal de grandes dimensões é extremamente difícil e dispendioso detetar a presença de árvores doentes através dos métodos tradicionais” explicou Vasco Mantas, investigador do Departamento de Ciências da Terra da FCTUC e coordenador do estudo.

O objetivo do projeto “é precisamente detetar as árvores infetadas que estão nesses contextos mais complexos, de forma detalhada, para permitir que os utilizadores da floresta possam ir aos locais corretos efetuar as ações de remoção (abate de árvores), evitando que o problema se alastre”.

Os investigadores pretendem contribuir para “um serviço operacional e acessível, desenvolvido num projeto anterior (Silvisense), que monitorize todo o território florestal e faça chegar informação aos utilizadores finais, que também participam neste projeto, entre os quais associações de produtores florestais, centros de investigação ligados à floresta, como é o caso do SerQ, e indústrias do setor” indicou Vasco Mantas.

O projeto FOCUS pretenda abranger várias perturbações da floresta, mas os investigadores utilizaram a deteção de árvores afetadas pelo nemátodo-da-madeira-do-pinheiro (ou doença da murchidão do pinheiro), que é um problema complexo com elevado impacto económico nas regiões afetadas, e “ao detetar o nemátodo, como os primeiros resultados demonstram, vai ser possível detetar outras doenças com sintomas semelhantes”.

Através do recurso a drones e a satélites é possível monitorar grandes manchas de floresta “de uma forma muito mais rápida, e com custos muito menores em comparação aos métodos convencionais, conseguimos ter uma cartografia das árvores afetadas que de outra forma teria de ser feita no terreno, com elevado dispêndio de horas, de recursos humanos e materiais, etc.”, exemplificou Vasco Mantas.

A combinação de dados de satélite e de drones, a que se junta uma forte componente de trabalho de campo, permite uma grande eficácia na deteção, porque “enquanto os dados provenientes dos satélites nos dão uma visão mais global, a informação obtida através dos drones é interessante para a cartografia muito detalhada das zonas afetadas”, concluiu o coordenador do FOCUS.

A partir do momento em que a informação espacial detalhada fica disponível, também é possível uma análise da distribuição, ou seja, avaliar quais são os processos que governam a distribuição do nemátodo e do inseto vetor.

Mas outro objetivo é, nomeadamente através dos estudos de campo, identificar árvores que aparentem ser tolerantes a pragas, para que sejam estudadas, e eventualmente possam servir de base ao repovoamento de zonas afetadas.

Para além das equipas dos departamentos de Ciências da Terra, Ciências da Vida e Engenharia Civil da FCTUC, o projeto FOCUS – Forest Operational monitoring using Copernicus and UAV hyperSpectral data – que se centra no desenvolvimento de métodos inovadores para a deteção e monitorização remota, através de satélites e veículos aéreos não tripulados, de pragas e doenças florestais, conta com parceiros da Noruega (S&T) e Bélgica (VITO), e tem um financiamento de 1,9 milhões de euros da União Europeia, através do programa Horizonte 2020.

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