Especialista em sono da ESSATLA esclarece sobre impactos da mudança de hora no sono dos mais jovens

Especialista em sono da ESSATLA esclarece sobre impactos da mudança de hora no sono dos mais jovens
Especialista em sono da ESSATLA esclarece sobre impactos da mudança de hora no sono dos mais jovens. Foto: Rosa Pinto

Nas primeiras horas do dia 25 de outubro a o relógio atrasa uma hora, isto pode significar mais uma hora de sono, no entanto, isso nem sempre acontece pois, e sobretudo os mais jovens podem continuar a despertar pelo seu horário biológico, ou seja acordar uma hora de relógio mais cedo. Uma mudança que coloca transtornos à família. Para ajudar as famílias a preparar a transição, Joana Marques, especialista em sono infantil e juvenil e professora na ESSATLA, Escola Superior de Saúde Atlântica, dá explicações e conselhos de como ajustar as rotinas sem comprometer o descanso.

“O relógio biológico sincroniza-se sobretudo com a luz e a escuridão”, esclarece a especialista, Joana Marques, e acrescenta que o organismo não acompanha imediatamente a alteração dos ponteiros. Uma criança habituada a acordar às 07h00 pode, por isso, passar a despertar às 06h00 pelo novo horário, sentindo também sono mais cedo ao final do dia.

Embora esta transição seja geralmente mais fácil do que a de março, quando se perde uma hora, a adaptação varia de criança para criança. Nos adolescentes, cujo ritmo biológico tende a ser mais tardio, “o recuo dos relógios pode até facilitar o despertar para a escola”, esclarece Joana Marques.

Ajustar a hora de deitar sem encurtar o descanso

Preparar a mudança pode passar por atrasar ligeiramente o horário de sono nos dias anteriores, desde que seja possível acordar também mais tarde. A especialista sugere um atraso de cerca de 30 minutos nos quatro dias que antecedem a transição, tanto na hora de deitar como na de levantar.

Joana Marques dá como exemplo, uma criança habituada a deitar-se às 21h00 poderá passar a fazê-lo às 21h30 entre quarta-feira e sábado, regressando às 21h00 no domingo, já pelo novo relógio. Contudo, este ajuste deve ter em conta os compromissos escolares, uma vez que “não devemos retirar meia hora de sono à criança nas noites de aulas para cumprir este plano”. Para a especialista quando não é possível acordar mais tarde, a família pode optar por ajustar os horários no fim-de-semana ou manter as rotinas habituais, dando tempo à adaptação. O essencial é que a preparação não se traduza numa redução do descanso.

Procurar luz natural de manhã e reduzir os ecrãs à noite

Para Joana Marques, além dos horários, importa prestar atenção à exposição à luz, que ajuda a regular os ritmos biológicos. Procurar momentos ao ar livre durante a manhã e reduzir a exposição à luz dos ecrãs à noite são duas medidas que as famílias podem integrar no dia-a-dia para facilitar a adaptação.

A par destes cuidados, a especialista da ESSATLA recomenda manter a regularidade das refeições e das atividades, respeitando também as sestas de que a criança ainda necessita. A mudança da hora deve, assim, ser acompanhada pela preservação das rotinas que organizam o seu dia.

Dar tempo à adaptação e estar atento aos sinais

Entretanto, a especialista indica que como não existe uma resposta igual para todas as crianças, importa observar a forma como cada uma reage e dar-lhe tempo para se adaptar. Os ajustes devem ter em conta as suas necessidades de sono e a organização familiar, sem transformar a preparação num plano rígido. Paralelamente, a atenção ao descanso deve prolongar-se para além desta transição. Se uma criança acorda sistematicamente cansada, adormece durante o dia ou apresenta dificuldades persistentes em dormir, importa avaliar o seu sono, mesmo depois de se ter habituado à nova hora.