
As reações de hipersensibilidade (RHS) a fármacos antineoplásicos, embora imprevisíveis, têm vindo a aumentar em incidência devido à introdução de novas opções terapêuticas, ao aumento da sobrevivência dos doentes e à maior prevalência de comorbilidades associadas. Isto é o indica, em comunicado, a Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) e a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).
As duas Sociedades referem ainda que estas reações podem variar entre manifestações cutâneas ligeiras e quadros sistémicos graves, potencialmente fatais, como a anafilaxia.
Para reforçar a segurança dos doentes e assegurar a continuidade dos tratamentos oncológicos, a SPO e a SPAIC estabeleceram uma colaboração que assenta numa formação contínua e numa estreita articulação entre oncologistas e imunoalergologistas.
“Nenhum doente deve deixar de receber o tratamento por uma reação de hipersensibilidade quando existem estratégias que permitem continuar a terapêutica em segurança. É por isso que esta parceria com a SPAIC é tão relevante: reforça a colaboração entre especialidades, promove a implementação de protocolos comuns e contribui para que mais doentes tenham acesso aos tratamentos mais eficazes com elevados padrões de segurança”, declarou, citado em comunicado, o presidente da SPO, Nuno Bonito.
Para Pedro Carreiro Martins, presidente da SPAIC, “a dessensibilização a fármacos antineoplásicos é hoje um procedimento bem estabelecido, que permite que doentes com reações de hipersensibilidade voltem a receber o tratamento de que realmente precisam, em vez de recorrerem a alternativas menos eficazes.”
Assim, “esta colaboração com a SPO contribuirá para que estes doentes sejam identificados e referenciados atempadamente à Imunoalergologia, o que fará toda a diferença no seu percurso terapêutico”, acrescentou o presidente da SPAIC.
A parceria entre as duas sociedades pretende fomentar uma abordagem multidisciplinar estruturada das reações de hipersensibilidade a fármacos antineoplásicos, bem como promover circuitos de referenciação, discussão clínica e partilha de boas práticas entre equipas de Oncologia e Imunoalergologia.
Para dar corpo à parceria, a SPO e a SPAIC indicam a promoção de um workshop dedicado à abordagem das reações de hipersensibilidade em Oncologia, incluindo os fundamentos dos procedimentos de dessensibilização medicamentosa, uma técnica que permite induzir uma tolerância temporária ao fármaco responsável pela reação de hipersensibilidade.
Trata-se de uma abordagem que permite, no entender dos especialistas das duas Sociedades, que doentes que sofreram reações mantenham os seus tratamentos em segurança, evitando a substituição por fármacos menos adequados e assegurando a continuidade da terapêutica sempre que clinicamente possível.
As duas sociedades científicas pretende também, em colaboração, harmonizar práticas clínicas, fomentar a partilha de conhecimento e reforçar a capacitação dos profissionais na prevenção, diagnóstico e tratamento das reações de hipersensibilidade em Oncologia, promovendo uma resposta multidisciplinar, integrada e centrada no doente.
Quando se assinala o Dia Mundial da Alergia, a 8 de julho, a SPO e a SPAIC mostram o empenho em sublinhar a importância da colaboração entre especialistas em Oncologia e especialistas em Imunoalergologia para que um número crescente de doentes possa vir a beneficiar de tratamentos mais eficazes com elevados padrões de segurança, e assim, contribuir para melhores resultados clínicos e uma maior qualidade dos cuidados prestados aos doentes.













