O stress crónico e o apoio social percebido podem influenciar a forma como a memória e as habilidades de raciocínio se alteram com a idade. A conclusão é de um estudo liderado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade Wake Forest.
Os resultados do estudo já foram publicados na revista “Alzheimer’s & Dementia”. Os investigadores acompanharam 3.873 adultos com 50 anos ou mais que participaram no estudo Health and Aging Brain Study-Health Disparities. Os investigadores examinaram se os níveis de stress contínuo e de sistemas de apoio social relatados pelos participantes no início do estudo estavam associados a mudanças ao longo do tempo na atenção, memória, linguagem e função executiva, que inclui habilidades usadas para planear, organizar e resolver problemas.
Embora estudos anteriores já tenham abordado o stress e o apoio social em relação ao declínio cognitivo, este novo estudo analisou ambas as situações, e comparou os diferentes grupos demográficos entre si.
Um maior apoio social no início do estudo foi associado a um menor declínio da atenção ao longo do tempo, independentemente do sexo ou raça. As mulheres que relataram maior stress crónico apresentaram maiores declínios na atenção e na linguagem em comparação com os homens, enquanto participantes hispânicos que relataram maior stress crónico apresentaram maior declínio de memória em comparação com participantes não hispânicos.
O estudo também mostrou que o apoio social e o stress eram independentes entre si, ou seja, ter um forte apoio social não compensou o stress associado ao declínio cognitivo.
“Os nossos resultados sugerem que o stress crónico e o apoio social podem ser fatores importantes a serem considerados quando pensamos no envelhecimento cerebral saudável”, disse Michelle M. Mielke, da Faculdade de Medicina da Universidade Wake Forest e autora correspondente do estudo.
“Os resultados também mostram que a relação entre stress e alterações cognitivas pode não ser a mesma para todos, mas há evidências encorajadoras sobre os benefícios do apoio social da família, dos amigos e das comunidades para todos”, acrescentou a investigadora.
Os participantes do estudo tinham em média 64,8 anos de idade, e nenhum apresentava demência no início do estudo. Cerca de 78% não apresentavam comprometimento cognitivo e 22% apresentavam comprometimento cognitivo leve.
Os participantes responderam a questionários sobre fatores de stress de longo prazo, incluindo dificuldades financeiras, pressão no trabalho, desafios nos relacionamentos, problemas de saúde e responsabilidades de cuidado. Eles também relataram como percebiam o seu próprio nível de apoio social. Os participantes foram então pontuados com base nesses questionários. Testes cognitivos realizados ao longo do estudo mediram mudanças na atenção, memória, linguagem e função executiva, e as visitas de acompanhamento ocorreram aproximadamente a cada dois anos.
O stress e o apoio social foram medidos através de questionários aplicados aos participantes no início do estudo, e o grupo relatou níveis relativamente baixos de stress e alto apoio social em geral.
No entanto, os investigadores esclareceram que como o estudo foi observacional, não pode comprovar que o stress crónico causa declínio cognitivo ou que maior apoio social o previne. São necessárias mais pesquisas para entender como esses fatores podem influenciar o envelhecimento cognitivo e o risco de doença de Alzheimer e outras demências.
“As conexões sociais e o stress são partes da vida cotidiana que podem ser modificadas”, disse a investigadora. Assim, “Investigações futuras podem ajudar a determinar se programas que reduzem o stress crónico ou fortalecem redes de apoio significativas podem ajudar a preservar a função cognitiva à medida que as pessoas envelhecem.”















