Eurodeputados defendem ações para um turismo equilibrado que alivie os locais mais procurados

Eurodeputados defendem ações para um turismo equilibrado que alivie os locais mais procurados
Eurodeputados defendem ações para um turismo equilibrado que alivie os locais mais procurados. Foto: Rosa Pinto

O Parlamento Europeu pretende um modelo de gestão do turismo equilibrado e para isso apresentou propostas para a próxima estratégia da União Europeia (UE) para o turismo sustentável. Os eurodeputados apelam ao reforço da conectividade dos transportes, à gestão cultural e à excelência local como via para uma prosperidade regional sustentável.

O turismo excessivo deverá ser combatido, dado que 80% dos viajantes visitam 10% dos destinos mundiais, para isso os eurodeputados sugerem que se procurem formas de aliviar a pressão sobre os locais que sofrem com o turismo em excesso e de redirecionar os visitantes para destinos menos conhecidos, emergentes ou remotos, como zonas rurais centrais, montanhas ou regiões insulares.

Para os eurodeputados, a gastronomia, o vinho, a cerveja, o património, o ciclismo e as experiências de turismo regenerativo podem criar novas oportunidades para destinos emergentes, prolongar as viagens para além das épocas altas e gerar rendimentos adicionais.

Para tornar o turismo europeu mais sustentável, os eurodeputados propõem melhorar as ligações de transporte, e para isso sugerem à Comissão Europeia para esta identificar um mecanismo de apoio específico para reforçar as ligações aéreas, marítimas e terrestres e o acesso a destinos emergentes.

Também, entre outras medidas os eurodeputados recomendam um apoio específico à locação de veículos elétricos e às infraestruturas de carregamento, mais comboios noturnos transfronteiriços e a rápida implantação de sistemas integrados de bilhética e sem descontinuidades, para abranger os serviços ferroviários, aéreos e marítimos.

No entanto, para que os Estados-Membros continuem a ser o principal destino mundial são necessários mecanismos de financiamento claros. Os eurodeputados lamentam que o próximo quadro financeiro plurianual continue sem contemplar um programa específico da UE e uma rubrica orçamental autónoma para o turismo.

Os eurodeputados consideram que as novas regras da UE para os arrendamentos de curta duração são “um passo positivo rumo a uma gestão mais eficaz dos destinos”. No entanto, defendem mais ações que evitem o crescimento e a comercialização não regulamentada dos arrendamentos de curta duração que levará a uma perda de autenticidade, a problemas de habitação local e a deslocação de residentes.

Os eurodeputados pedem à Comissão Europeia que proponha legislação, de modo a criar “um quadro da UE coerente” para o arrendamento de curta duração que defina normas de prestação de serviços, clarifique as categorias de acolhimento e permita aos países da UE limitar o número de dormidas de visitantes ou introduzir regimes de autorização.

No domínio da mão-de-obra os eurodeputados consideram que a escassez passa por melhorar as condições de trabalho e superar os obstáculos à mobilidade, e propõem a introdução de um cartão de competências para documentar a formação, as competências, as qualificações e a experiência profissional acreditadas no setor do turismo.

Para os eurodeputados o papel dos profissionais da cultura é vital, bem como o das organizações locais e dos voluntários enquanto guardiões do património cultural da Europa. Neste sentido, instam a Comissão Europeia a propor orientações para incentivar e permitir uma maior participação no voluntariado cultural.

Para o eurodeputado relator, Daniel Attard, as posições para “a primeira estratégia europeia para o turismo sustentável, contribuirá para uma distribuição mais equitativa do turismo entre as regiões, melhorará a conectividade, apoiará melhores condições de trabalho, protegerá o ambiente, preservará a nossa identidade e exigirá regras justas em matéria de arrendamento de curta duração em toda a Europa”.