Falta de água e doenças estão a tornar a vida impossível em Gaza

Falta de água e doenças estão a tornar a vida impossível em Gaza
Falta de água e doenças estão a tornar a vida impossível em Gaza. Foto: ©OMS/arquivo

A situação em Gaza e na Cisjordânia está a deteriorar-se rapidamente, alertou António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, no Conselho de Segurança.

Como é relatado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, na Cisjordânia, faltam mais de um terço dos medicamentos essenciais e mais de 11.000 cirurgias necessárias para salvar vidas não foram realizadas desde o início de 2026.

Desde janeiro, ocorreram mais de 1.000 ataques de colonos contra palestinianos na Cisjordânia que causaram vítimas e danos materiais em mais de 230 comunidades, e que levou a que mais de 2.200 palestinianos tenham sido deslocados.

Ainda, desde janeiro, na Cisjordânia, também se verificaram mais de 100 incidentes de demolição ou violência por parte de colonos que danificaram ou destruíram mais de 190 estruturas relacionadas com água e saneamento, aumentando a dependência do transporte de emergência de água por caminhões em comunidades vulneráveis.

Em Gaza, mais de 70% da população depende de água transportada por caminhões, mas a falta de financiamento está a colocar o abastecimento em risco. Uma situação dramática com famílias deslocadas em locais superlotados, edifícios destruídos e abrigos improvisados que ​​em breve colocarão as pessoas expostas a temperaturas extremas de verão.

Apesar do cessar-fogo anunciado há oito meses”, disse António Guterres, “Gaza ainda enfrenta profunda incerteza e imenso sofrimento humano. A violência está a aumentar, com civis a serem mortos diariamente”, e “as necessidades humanas básicas – como água potável, saneamento, alimentação, abrigo, assistência médica e muito mais – não estão a ser fornecidas. E o governo israelita está a declarar intenção de controlar 70% da Faixa de Gaza.”

As restrições de acesso impostas por Israel e os longos procedimentos para que Israel autorização esse acesso continuam a afetar a entrega oportuna de itens essenciais para abrigo e não alimentares, e a falta de financiamento ameaça a aquisição e o pré-posicionamento de suprimentos para o inverno.

O relato do Escritório das Nações Unidas indica que cerca de 2.000 locais foram tratados contra pragas desde meados de maio. Entretanto, as doenças e infeções de pele continuam a aumentar devido ao acesso limitado à água potável, saneamento básico e tratamento, além do acesso restrito a aterros sanitários, o que causa acumular contínuo de resíduos em áreas povoadas.