Faltam mulheres nas tecnologias para impulsionar a economia europeia

União Europeia tem grande falta de profissionais em tecnologias digitais. Diversos fatores levam a que o potencial das mulheres em tecnologias não esteja a ser aproveitado, impedindo um maior desenvolvimento económico.

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Faltam mulheres nas tecnologias para impulsionar a economia europeia. Foto: Rosa Pinto

Mais de oito em cada dez empregos em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) são ocupados por homens. Para marcar o Dia Internacional da Mulher, o Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE, sigla do inglês) vem abordar o tema das tecnologias e do potencial das mulheres neste sector em crescimento.

Um trabalho em TIC, com possíveis horários de trabalho flexíveis, melhores salários e um bom ambiente na empresa, tem muitas vantagens, para homens e mulheres.

Mas para Virginija Langbakk, diretora do EIGE, “os estereótipos profundamente arraigados são um dos principais obstáculos para que as mulheres possam ter uma carreira no setor de TIC. Numa idade precoce, as meninas aprendem a considerar que os rapazes são mais aptos para as competências digitais, levando a que mais tarde quando adolescentes procuram opções de carreira noutros setores e ignorem os benefícios de ter um emprego no setor da tecnologia”.

“Se não rompermos estes estereótipos, a União Europeia (UE) continuará a desperdiçar o potencial talento” das jovens, referiu Virginija Langbakk, citada em comunicado do EIGE.

Estudos mostram que apenas 17% dos especialistas em TIC, na UE, são mulheres, e isto deve-se, indicou o EIGE, aos estereótipos na fase inicial da educação, pois quase nenhuma adolescente considera vir a ter um futuro em tecnologia. Uma tendência que “ameaça ampliar ainda mais a segregação de género”.

Diversos estudos reconhecem haver uma grande escassez de profissionais em TIC na União Europeia, um problema real que impede que o impulsionar da economia com todo o potencial possível. Para o EIGE com mais mulheres nas TIC a situação poderia mudar.

Como é que o setor digital pode atrair mais mulheres?

Para o EIGE deve ser feita uma abordagem favorável ao equilíbrio entre trabalho e condições de vida. Libertar algumas horas durante o período do dia de trabalho não é geralmente um problema quando se trabalha em TIC, pois trabalhar fora de horas, ou seja, mais tarde ou muito cedo é hoje vulgar. O EIGE indica que quase 90% dos profissionais em TIC apreciam a sua organização de tempo de trabalho. E a diferença salarial entre mulheres e homens nas TIC também é menor do que na maioria dos outros setores.

Um estudo do EIGE, sobre as mulheres nas TIC, revela alguns ângulos menos atraentes do setor, que precisam ser abordados. As aparentemente diferentes regras de “jogo” para mulheres e homens são uma tendência preocupante. As estatísticas mostram que as mulheres que ocupam lugares em tecnologia, mesmo quando mais habilitadas que os homens, ocupam posições mais baixas.

Outro desafio que se coloca a qualquer profissional em TIC é a necessidade de uma melhoria contínua através de formação, como pré-requisito para uma carreira bem-sucedida no setor. Um desafio mais difícil para as mulheres, pois, para além do trabalho na empresa, têm ainda de assumir a maior parte das responsabilidades domésticas e de outros cuidados e, portanto, lutar contra a falta de tempo para participar em ações de formação, fora do horário normal de trabalho na empresa. Neste caso a compartilha de responsabilidades domésticas teria um impacto positivo nas carreiras das mulheres.

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