Medicamento português à base em células estaminais para tratar a COVID-19

Medicamento à base células estaminais para tratar doentes com COVID-19 em estado grave está a ser desenvolvido em Portugal pela Crioestaminal. Outros ensaios clínicos com células estaminais na China e nos EUA mostram benefícios em pacientes de COVID-19.

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Medicamento português à base em células estaminais para tratar a COVID-19
Medicamento português à base em células estaminais para tratar a COVID-19. Foto: © Rosa Pinto

Terapia à base de células estaminais mesenquimais (MSCs, sigla do inglês) para tratar doentes com pneumonias graves associadas a COVID-19 tem vindo a ser testada na China, EUA e em alguns países europeus, e estão já em curso mais de 20 ensaios clínicos para estudar de forma alargada a segurança e eficácias desta terapia.

Os resultados de estudos recentes, conduzidos na China e nos EUA, que investigaram se as MSCs seriam capazes de tratar a pneumonia associada a COVID-19, com base nas propriedades imunomoduladoras e reparadoras conhecidas destas células, revelaram uma reversão notável dos sintomas, mesmo em condições críticas.

A Crioestaminal, laboratório de criopreservação líder em Portugal e um dos maiores da Europa, acaba de anunciar o desenvolvimento de um medicamento experimental à base de células estaminais expandidas para tratar doentes mais graves com COVID-19.

O laboratório concluiu a primeira fase de desenvolvimento do medicamento experimental que é constituído por doses de 100 milhões de MSCs do tecido do cordão umbilical. Nesta primeira fase, que foi concluída no dia 1 de maio, o laboratório produziu a primeira dose, com os necessários controlos de qualidade que permitirão a validação de todo o processo e a qualificação do medicamento inovador como terapia experimental para poder ser testado em doentes com COVID-19 em condição mais grave.

Nos ensaios nos EUA e na China a função pulmonar e os sintomas dos doentes melhoraram significativamente após a administração de MSCs, tendo-se observado um reequilíbrio nas populações de células do sistema imunitário destes doentes, bem como do perfil de moléculas pró e anti-inflamatórias. Os resultados publicados permitiram observar que a terapia com MSCs foi capaz de inibir a hiperativação do sistema imunitário e de promover a reparação celular endógena, melhorando o microambiente pulmonar permitindo a recuperação destes doentes.

Apesar destes estudos terem sido conduzidos num número ainda restrito de doentes, os resultados favoráveis obtidos sugerem que as MSCs podem constituir uma nova estratégia terapêutica para o tratamento desta doença.

Nesta linha de estratégia terapêutica a Crioestaminal tem vindo “ao longo dos últimos meses, perante a urgência da situação, tal como muitos outros grupos de investigação e empresas em todo o mundo” a trabalhar para ajudar no combate a esta pandemia, indicou André Gomes diretor geral da Crioestaminal.

André Gomes acrescentou que o trabalho em curso está a tirar partido “de mais de 15 anos de experiência em projetos de investigação com células estaminais, em colaboração com hospitais e centros de I&D em Portugal, e da nossa equipa de técnicos e investigadores altamente qualificados, criamos uma equipa de trabalho que tem vindo a desenvolver este projeto com uma dedicação e esforço notáveis”.

Ainda sobre os estudos que têm vindo a ser conduzidos nos EUA e na China com MSCs, e se bem que num número ainda restrito de doentes, os resultados favoráveis obtidos sugerem que estas estes medicamentos podem constituir uma nova estratégia terapêutica para o tratamento da COVID-19, e a Crioestaminal pretende, neste caso, dar o seu contributo com o desenvolvimento próprio de um novo medicamento.

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