A celebração do Corpo de Deus é uma das mais marcantes da Igreja Católica, com uma larga tradição em Portugal e com grande manifestação em Lisboa, que é considerada a mais antiga na cidade. Uma celebração que no dia 4 de junho de 2026 teve o seu expoente na procissão histórica que percorreu algumas das ruas da baixa pombalina.

A procissão, a que presidiu D. Rui Valério, Cardeal Patriarca de Lisboa, estendeu-se por várias artérias, incluindo a Praça do Município e a Praça do Comércio. Milhares de pessoas participaram numa manifestação de Fé que também é uma manifestação da cultura portuguesa e em particular lisboeta.

A celebração dedicada à veneração da Eucaristia assume em Lisboa uma grande participação popular e na qual estiveram presentes o antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa em exercício, Carlos Moedas, e altas patentes militares, para além das mais diversas entidades da Igreja, como bispos, cónegos, padres, diáconos e religiosas.

Numa Lisboa cada vez mais ocupada por turistas de todas as proveniências a magnitude do cortejo religioso e as suas caraterísticas parece terem surpreendido muitos que, no momento visitam o centro da cidade, tornando-se uma oportunidade para recolha de imagem que para muitos foi um encontro inédito.
Numa aproximação às tradições de criação de tapetes de flores ao longo do percurso por onde passava o ostensório, agora duas alas de jovens espalharam pétalas de flores na frente do santíssimo sacramento transportado pelo Cardeal de Lisboa coberto pelo pálio.

Após a procissão e frente à Sé de Lisboa, o patriarca de Lisboa dirige-se à multidão lembrando que pelas ruas de Lisboa tinham seguido Jesus Cristo tal como o fizeram os discípulos. Um Cristo com presença real na Eucaristia mas sobretudo porque “está presente no nosso coração em cada um de nós”
Mas, D. Rui Valério trouxe perante os milhares dos lisboetas os grandes desafios que vem alertando o Papa Leão XIV. Um Papa que o Cardeal classifica como “verdadeiro apóstolo a par dos nossos tempos”, um “profeta da reconciliação que não cessa de nos desafiar”, para pararmos, repensarmos e empreendermos noutro sentido.

Numa chamada à reflexão o Patriarca de Lisboa lembrou a encíclica do Papa Leão XIV, a “Magnifica humanitas”, e que classificou como sendo o desafio que nos está a ser confiado, e neste caso “a missão para irmãos e irmãs é sentirmos que é necessário salvar o que de humano existe”.
“Na era da tecnologia, nesta era da inteligência artificial por vezes nós nos esquecemos de que a vulnerabilidade, a fragilidade, a fraqueza, o fracasso e a queda, fazem parte da humanidade e que essa humanidade muitas vezes não se configura não se compagina com a mentalidade da técnica. Tantas vezes essa humanidade na sua dimensão mais frágil, mais débil, mais pobre é pura e simplesmente descartada o que é descartável”, afirmou D. Rui Valério.
Numa referência de Fé o Patriarca assume que “com Jesus no coração, qual glorioso hóspede das nossas vidas, da nossa alma. Nós queremos dizer presentes, para aquilo que hoje a Igreja nos pede, é de renovar o compromisso ou o humano que existe em cada homem em cada mulher”.
“Não tenhamos vergonha da fraqueza, não tenhamos vergonha da fragilidade, não tenhamos vergonha de nos identificarmos como irmãos e irmãs de quem é pobre de quem não teve sucesso de quem não alcançou êxito, mas fracassou”, pois “o desafio nestes tempos de incerteza que o Papa Leão nos lança é esse mesmo, chama aquele que está doente teu irmão, chama aquele que fracassou, irmão, chama ao que errou, irmão, chama ao pecador de irmão, aí está o húmus da humanidade.”














