Proteção contra variantes Alfa e Beta do SARS-CoV-2 só com reforço de vacina

Mudanças na proteína “Spike” do coronavírus, que causa a COVID-19, explicam a mais rápida disseminação da variante Alfa e como a variante Beta evita as respostas imunológicas. Estudo aponta para a necessidade de reforço com vacina atualizada.

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Proteção contra variantes Alfa e Beta do SARS-CoV-2 só com reforço de vacina
Proteção contra variantes Alfa e Beta do SARS-CoV-2 só com reforço de vacina

As novas variantes do SARS-CoV-2 estão a espalhar-se rapidamente e há receios de que as atuais vacinas contra a COVID-19 não protejam as pessoas contra essas variantes. Um estudo recente sobre a proteína “Spike” das variantes do SARS-CoV-2 revela novas propriedades da variante Alfa (inglesa) e da variante Beta (sul africana) e mostra que as vacinas atuais podem ser menos eficazes contra a variante Beta.

As proteínas “Spike”, existentes na superfície do SARS-CoV-2, permitem que o vírus se fixe e entre nas nossas células. Todas as vacinas atuais são direcionadas contra essas proteínas. O novo estudo, liderado por Bing Chen, do Hospital Pediátrico de Boston, publicado na “Science” em 24 de junho, usou microscopia crioeletrónica (crio-EM) para comparar a proteína spike do vírus original com as variantes Alfa e Beta.

As descobertas estruturais indicam que as mutações na variante Beta (também conhecida como B.1.351, ou sul africana) mudam a forma da superfície “Spike” em certos locais. Assim, os anticorpos neutralizantes induzidos pelas atuais vacinas são menos capazes na sua ligação na variante Beta, o que pode levar a que o vírus evite o sistema imunológico, mesmo quando as pessoas estão vacinadas.

“As mutações tornam os anticorpos estimulados pelas atuais vacinas menos eficazes”, esclareceu Bing Chen, da divisão de Medicina Molecular do Hospital Pediátrico de Boston, EUA. “A variante Beta apresenta alguma resistência às atuais vacinas e assim consideramos que um reforço com a nova sequência genética pode ser benéfico para a proteção contra essa variante.”

Mas o estudo também descobriu que as mutações na variante Beta tornam o pico menos eficaz na ligação ao ACE2 – sugerindo que essa variante é menos transmissível do que a variante Alfa.

Variante Alfa e as fragilidades das vacinas

Sobre a variante Alfa (B.1.1.7), o estudo confirmou que uma alteração genética na “Spike” (uma substituição de um único aminoácido) ajuda o vírus a ligar-se melhor aos recetores ACE2, tornando-o mais infecioso. No entanto, os testes indicam que os anticorpos produzidos pelas vacinas existentes ainda podem neutralizar essa variante.

Os investigadores referem que para que uma variante do SARS-CoV-2 seja uma alta ameaça, a variante precisaria de três propriedades: espalhar-se mais facilmente, escapar do sistema imunológico em pessoas vacinadas ou anteriormente expostas ao COVID-19 e causar doença mais grave. Felizmente, as variantes Alfa e Beta não possuem todas estas propriedades.

“Os nossos dados sugerem que a combinação mais problemática das mutações ainda não está presente nas variantes existentes aqui examinadas”, escreveram os investigadores.

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