Risco de infeção por coronavírus é baixo nas superfícies de contacto

Dois estudos de investigação mostram que o risco de infeção por coronavírus em superfícies com alta frequência de contacto é baixo. Botões de semáforos apresentam menor risco que pratos e mesas dos restaurantes.

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Risco de infeção por coronavírus é baixo nas superfícies de contacto
Risco de infeção por coronavírus é baixo nas superfícies de contacto. Foto: Eawag, Andri Bryner

Existe o receio de contrair COVID-19 por tocar nos botões de semáforos, maçanetas, teclados de equipamentos, pegas de baldes do lixo ou de outras superfícies. Cientistas realizaram dois estudos para esclarecer se as preocupações se justificam, e se há um maior risco de infeção pelo novo coronavírus a partir de botões ou teclados em comparação com outras vias de transmissão possíveis.

Estudo revelou 8% das amostras positivas

Num primeiro estudo, entre abril e junho de 2020, foram recolhidas quase 350 amostras de superfície de maçanetas de portas de entrada de empresas, pegas baldes do lixo, teclados de caixas eletrónicas, pegas de mangueiras de bombas de gasolina e botões de semáforos.

Das amostras recolhidas os investigadores verificaram que 29, aproximadamente 8%, foram positivas ao material genético do coronavírus SARS-CoV-2. No entanto, as concentrações eram tão baixas que o risco de infeção ao tocar num dessas superfícies contaminadas também foi estimado como baixo.

O estudo realizado em Somerville (um subúrbio de Boston, Massachusetts, com uma população de cerca de 80.000 habitantes) foi conduzido pelas investigadoras Abigail Harvey e Amy Pickering, da Tufts University.

Desenvolver um alerta precoce

Apesar da notícia tranquilizadora de que as superfícies com alta frequência de contato, provavelmente desempenham um papel mínimo na transmissão do coronavírus na comunidade.

Os cientistas sugerem que a recolha de amostras deve ser realizada regularmente: as superfícies foram tocadas por pessoas diferentes até 30 vezes por hora, e houve boa concordância entre as taxas de positividade das amostras de superfície e tendência de novos casos de infeção detetados por testes clínicos.

Timothy Julian do departamento de Microbiologia Ambiental do Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia Aquática, conclui: “Tal como acontece com a amostragem de águas residuais, a vigilância do ARN do SARS-CoV-2 em superfícies com alta frequência de toque pode ser uma ferramenta útil – além dos testes clínicos – para fornecer um aviso prévio de tendências de casos COVID-19.”

Lavar as mãos é a melhor estratégia

Num segundo estudo, liderado por Ana Karina Pitol, do Imperial College, Londres, foram usados modelos de avaliação de risco ​​para avaliar a eficácia da desinfeção de superfície e das mãos na redução do risco de transmissão através de superfícies contaminadas.

Os resultados do estudo são inequívocos: enquanto a eficácia da desinfeção de superfície depende de vários fatores e é relativamente limitada, a desinfeção das mãos reduz substancialmente os riscos de infeção.

Entretanto, os riscos de transmissão por meio de botões, teclados ou pegas podem tornar-se não desprezíveis. Timothy Julian enfatiza: “Levando em consideração as dezenas de objetos que são tocados por hora, o risco de uma pessoa se infetar aumentará, é claro, se muitas pessoas estiverem infetadas com o vírus – embora o risco de outros meios de transmissão também aumente.”

Pratos e mesas de restaurantes apresentam maior risco

Não foram incluídas nestes estudos as superfícies que as pessoas podem contaminar durante períodos mais longos, como pratos ou mesas de restaurantes. Timothy Julian disse: “A probabilidade de alguém tossir ou espirrar sobre uma mesa e que nela se venham a encontrar gotículas com grande carga viral é muito maior do que no caso de um botão ou maçaneta. Por isso é muito importante que as mesas sejam desinfetadas e os pratos devidamente lavados.”

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