A Alta Representante da União Europeia, Kaja Kallas, declarou que “três anos após o início da guerra no Sudão, o sofrimento do povo sudanês continua sem trégua. O conflito entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF), as Forças de Apoio Rápido (RSF) e suas respetivas milícias aliadas está a destruir vidas” e a privar a população das aspirações de paz.
Neste conflito a União Europeia assume a sua posição de defesa da unidade, soberania e integridade territorial do Sudão e não aceita “qualquer tentativa unilateral de estabelecer uma governação paralela que possa pôr em risco a partição do país”, e que se opõe que “o conflito se transforme numa guerra regional em grande escala”.
Na linha do que assumiu a Conferência sobre o Sudão, realizada em Berlim em 15 de abril de 2026, que demonstrou “a determinação da comunidade internacional em pressionar os beligerantes para que ponham fim ao conflito”, a UE “renova o seu apelo a todos os intervenientes para que se empenhem em negociações com vista a um cessar-fogo imediato e duradouro.”
Kaja Kallas afirma que a “UE está pronta para apoiar qualquer iniciativa de paz credível e unificada, incluindo opções para apoiar um mecanismo internacional de monitorização.” Assim, “os intervenientes externos devem parar de alimentar a guerra”, e “a UE defende a extensão a todo o país dos mandatos do Tribunal Penal Internacional (TPI) e o embargo de armas imposto pela ONU, que atualmente se limitam a Darfur.”
Atualmente a realidade no Sudão é de catástrofe humanitária que se agrava todos os dias. “Os civis são alvos de ataques, a fome persiste e o deslocamento continua a desestabilizar comunidades e a região”. Kaja Kallas apela na declaração a que “os ataques contra civis, profissionais de saúde, trabalhadores humanitários, comboios humanitários e infraestrutura civil devem cessar.”
Para a UE “todas as partes devem garantir o acesso humanitário irrestrito, seguro e contínuo em todo o Sudão”, e “a obstrução e os ataques aos esforços e ao pessoal de ajuda humanitária são inaceitáveis e podem constituir crimes de guerra.”
A Alta Representante da UE lembrou que “na Conferência sobre o Sudão, em Berlim, os doadores internacionais prometeram 1,5 mil milhões de euros em ajuda, incluindo 812 milhões de euros da UE e dos seus Estados-Membros.”
Entretanto, continuam a ocorrer graves violações do direito internacional humanitário e dos direitos humanos”. Com “a violência sexual e de género sistemática relacionada com conflitos continua a destruir indivíduos e comunidades numa escala assustadora, sendo a violação utilizada como arma de guerra.”
Entretanto, Kaja Kallas lembrou que “a UE apoia o trabalho da Missão de Apuramento dos Factos das Nações Unidas, o TPI e a responsabilização rigorosa de todos os perpetradores. A UE utilizará todos os instrumentos disponíveis – incluindo a diplomacia e medidas restritivas – para pressionar pela paz, incluindo a análise de sanções adicionais destinadas à economia de guerra.”














