
No Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, a exposição fotográfica “Cicatrizes na Primeira Pessoa” torna visíveis marcas deixadas pelo cancro do ovário. A exposição é um projeto da Associação MOG – Movimento Oncológico Ginecológico, e assinala o Dia Mundial do Cancro do Ovário.
A exposição “Cicatrizes na Primeira Pessoa” utiliza o poder da fotografia para retratar mulheres com cancros ginecológicos, dando voz às suas histórias. Uma iniciativa que “ajuda, sobretudo, a combater o estigma relativo às marcas visíveis e invisíveis da doença no corpo e contribui para aumentar a autoconfiança e autoimagem das pessoas que passam por estas situações. É uma forma de humanizar a doença e também de aumentar a literacia relativamente aos cancros ginecológicos”, referiu, citada em comunicado, Cláudia Fraga, Presidente da MOG.
As imagens da mostra de Miguel Valle de Figueiredo e Sandra Carmo vão estar patentes no espaço de um hospital, uma estreia, depois das duas primeiras edições, que se realizaram no Museu da Fundação Oriente e no i3S, no Porto.
A exposição, organizada em conjunto com a associação Unidas para Vencer, estará patente no Hospital, desde dia 7 de maio até dia 30 de maio de 2026. “A iniciativa aproxima pessoas com doença e profissionais de saúde, num contexto diferente do habitual, em que se dá ênfase a dimensões humanas e emocionais, e não só a aspetos clínicos” referiu Cláudia Fraga.
Nesta exposição as imagens vão mostrar muito mais do que é captado pela lente, pois “quem vê caras, não vê cicatrizes… Estas imagens mostram aquilo que, habitualmente, não está à vista de todos. Olhando para os rostos destas mulheres, não vemos cicatrizes. É o poder da imagem a mostrar novas camadas de significado e a comunicar uma mensagem que gera empatia, identificação, e suscita uma reflexão sobre o assunto.”
Ao mesmo tempo, “constitui uma mensagem para quem vive com a doença, incentivando a não desistir do processo e aceitar um corpo diferente, porque são as cicatrizes que nos mantêm vivas. Estas são marcas de superação e sobrevivência. E muito ânimo alto por estarmos vivas.”
Mas outro objetivo da iniciativa é aumentar o conhecimento e sensibilização para o cancro do ovário que, de acordo com os dados do Globocan, registou 682 novos casos e 472 mortes em 2022.
“O facto de haver desconhecimento sobre este cancro e de este ter sintomas inespecíficos (inchaço abdominal persistente, dor pélvica, sensação de enfartamento, alterações urinárias e intestinais) leva a que grande parte dos diagnósticos ocorra em fases avançadas da doença. Quanto mais abordarmos o tema, sob diferentes perspetivas e com diferentes iniciativas, mais as mulheres e os profissionais de saúde estarão atentos e poder-se-á contribuir para o diagnóstico precoce da doença”, referiu a presidente da MOG.
Cláudia Fraga acrescentou que estamos a falar “de cancros que foram secundarizados, durante décadas, por serem doenças de mulheres. É fundamental alterar essa situação, agilizar o diagnóstico, fazer um encaminhamento célere das mulheres para exames complementares de diagnóstico e consultas de especialidade, garantir o acesso a equipas multidisciplinares e a terapêuticas inovadoras, para que possamos, em conjunto, contribuir para melhorar a qualidade de vida das mulheres com estas doenças”.













