
A atividade física vigorosa promove o crescimento pulmonar em crianças, mas esses benefícios são reduzidos pela poluição por ozono. A conclusão é de um novo estudo de investigação apresentado na Conferência Internacional de 2026, da Sociedade Torácica Americana. Os resultados sugerem que os benefícios para a saúde dos exercícios nos níveis recomendados pela Organização Mundial da Saúde podem ser limitados por condições ambientais.
A nova investigação está entre as primeiras a examinar como exercícios intensos e a exposição prolongada ao ozono interagem para influenciar o desenvolvimento pulmonar em crianças. Os resultados sugerem que as crianças em áreas mais poluídas podem não conseguir obter os mesmos benefícios para a saúde e o desenvolvimento proporcionados pela atividade física em comparação com as crianças que estão em ambientes mais limpos.
“A principal mensagem é que a atividade física e a saúde ambiental estão intimamente ligadas”, disse o primeiro autor do estudo, James Scales, investigador sénior da Queen Mary University of London. “Incentivar as crianças a serem ativas é essencial, mas garantir que elas cresçam em ambientes limpos e saudáveis é igualmente importante.”
O apoio ao desenvolvimento pulmonar em crianças é importante porque a função pulmonar na infância está fortemente ligada à saúde respiratória na vida adulta.
No estudo, os investigadores analisaram dados recolhidos de mais de 3.400 crianças de 6 a 9 anos e ao longo de quatro anos, como parte do estudo de Saúde Infantil em Londres e Luton. Os investigadores compararam os dados sobre os níveis de atividade e o crescimento pulmonar das crianças com a exposição residencial a diferentes tipos de poluição do ar.
Os investigadores verificaram que, embora a atividade física vigorosa tenha apresentado uma clara associação com a função pulmonar, a atividade moderada não apresentou essa associação. Isso sugere que a intensidade do exercício é importante para a saúde respiratória das crianças. Os investigadores também verificaram que o ozono, um gás reativo que pode irritar as vias aéreas, é mais importante do que a poluição por partículas na limitação dos benefícios do exercício.
“Isso está de acordo com o que sabemos sobre os efeitos biológicos do ozónio durante o exercício, que é o seu efeito irritante nas vias aéreas quando a frequência respiratória aumenta e mais ozónio chega aos pulmões”, explicou James Scales.
As conclusões da investigação podem ajudar a fundamentar políticas destinadas a reduzir as emissões que formam o ozono, observou o investigador. É também sugerido que as condições ambientais devem ser consideradas no desenvolvimento de diretrizes para a atividade física.
Agora, os investigadores planeiam estudos de acompanhamento para investigar se existem limiares específicos de exposição ao ozónio que desencadeiam um aumento de risco. Os investigadores também esperam explorar os efeitos de curto prazo da exposição ao ozónio na saúde respiratória das crianças.














