
A terapia posicional pode ser eficaz como tratamento de longa duração para pacientes com apneia obstrutiva do sono (AOS) posicional. A conclusão é de um estudo de investigação apresentado na Conferência Internacional da Sociedade Torácica Americana de 2026.
No novo estudo, os investigadores descobriram que a terapia posicional, que utiliza um dispositivo para incentivar os pacientes a dormir de lado, leva a mudanças comportamentais e melhorias a longo prazo, mesmo após a interrupção do tratamento ativo. Uma conclusão importante, pois apoia o uso da terapia posicional como uma alternativa para pacientes que têm dificuldade em tolerar a terapia com pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP, sigla em inglês).
“Observamos que a terapia posicional não só foi eficaz, comparável ao CPAP, como também mais bem tolerada, o que a reforça como uma alternativa valiosa para pacientes com dificuldades de adesão ao CPAP”, afirmou a principal autora do estudo, Irene Cano-Pumarega, pneumologista e chefe da unidade do sono do Hospital Ramón y Cajal, em Madrid.
A CPAP é considerada como tratamento padrão para a apneia obstrutiva do sono, mas a eficácia na prática clínica é limitada pela baixa adesão. Até 40% dos pacientes não a utilizam o suficiente para perceberem os benefícios.
A apneia obstrutiva do sono posicional é um tipo de apneia do sono desencadeada pela posição de dormir de costas. Até 75% dos pacientes com apneia obstrutiva do sono apresentam esse tipo. Para esses pacientes, dormir de lado pode aliviar os sintomas.
A terapia posicional funciona fazendo com que os pacientes usem um dispositivo que monitora a posição do corpo e emite uma vibração suave quando eles se viram de costas durante o sono. Isto estimula os pacientes para se virarem de lado sem que os mesmos acordem completamente.
No estudo, os investigadores questionavam sobre se o feedback repetido condicionava os pacientes a evitar dormir de costas, mesmo sem o dispositivo em uso, e confirmaram que isso acontecia.
Após seis meses de uso de um dispositivo de terapia posicional, mais de dois terços dos pacientes continuaram dormir de lado e conseguiram controlar a apneia obstrutiva do sono sem qualquer tratamento ativo. Esse efeito persistiu mesmo um ano após a interrupção da terapia.
Embora o CPAP só funcione enquanto o dispositivo estiver em uso, a mudança comportamental causada pela terapia posicional pode permitir que os pacientes controlem a apneia do sono sem tratamento contínuo, disse a Irene Cano-Pumarega.
A Investigadora acrescentou: “Isso representa uma mudança fundamental da terapia dependente de dispositivos para um efeito terapêutico potencialmente autossustentável”.
Para os sistemas de saúde, esta abordagem pode ter implicações financeiras significativas, uma vez que pode reduzir os custos associados ao uso prolongado de dispositivos CPAP.
Os pesquisadores ficaram surpresos, não apenas com a magnitude dos benefícios, mas também com a duração desses benefícios. Embora, estudos anteriores já tinham demonstrado que a terapia posicional era eficaz e bem tolerada, mas este no estudo é o primeiro a demonstrar que os benefícios da terapia posicional perduram por longo prazo.
“Os nossos resultados sugerem que a terapia posicional pode representar uma opção de tratamento de primeira linha para uma parcela substancial de pacientes com apneia obstrutiva do sono posicional”, afirmou a investigadora.
Agora, os investigadores indicaram que planeiam estudar qual o tempo durante o qual esses benefícios persistem após o tratamento. Eles também planeiam estudar quais são os pacientes que melhor respondem à terapia posicional.
“Em última análise, o nosso objetivo é incorporar essas descobertas às diretrizes clínicas e avançar em direção a uma estratégia de tratamento mais personalizada para a apneia obstrutiva do sono”, afirmou a investigadora Irene Cano-Pumarega.














