Dados do Sistema Global de Vigilância da Resistência e Uso de Antimicrobianos da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, em 2023, uma em cada seis infeções bacterianas comuns era resistente ao tratamento com antibióticos.
Como relatado na última Assembleia Mundial da Saúde Estudos é estimado que, em 2021, 4,71 milhões de mortes foram associadas à resistência antimicrobiana bacteriana. A conclusão foi de que sem medidas urgentes, a resistência antimicrobiana poderá causar até 39 milhões de mortes até 2050, e afetar desproporcionalmente os países de baixo e médio rendimento.
Os Estados-Membros da OMS aprovaram o Plano Global de Ação para a Resistência Antimicrobiana para 2026 a 2036 que tem o objetivo de preservar a capacidade de tratar infeções em humanos, animais e plantas, ampliando o acesso equitativo e o uso apropriado de antimicrobianos eficazes, para reduzir infeções através de uma abordagem de Saúde Única.
Até 2030, o plano agora aprovado pretende viabilizar o alcance da meta da Assembleia Geral da ONU de 2024 de redução de 10% nas mortes associadas à resistência antimicrobiana bacteriana em humanos, além de reduzir o uso de antimicrobianos em sistemas agroalimentares e minimizar a poluição ambiental causada por microrganismos resistentes e resíduos antimicrobianos.
Mais de 170 países desenvolveram planos de ação nacionais multissetoriais sobre resistência antimicrobiana e 104 países reportaram dados sobre resistência antimicrobiana ao sistema de vigilância da OMS, em 2025.
Agora, para uma ação sustentável, o plano enfatiza a necessidade de governação fortalecida, financiamento sustentável e responsabilização em relação à resistência antimicrobiana, incluindo a integração de intervenções contra a resistência antimicrobiana nos esforços de fortalecimento do sistema de saúde.
A OMS e as outras agências das Nações Unidas irão reforçar o apoio técnico e a coordenação, ao mesmo tempo que o plano oferece orientações adaptáveis que permitem aos países acelerar a ação através de uma abordagem de Saúde Única, adaptada às prioridades e contextos nacionais. Um plano que será complementado por uma estrutura operacional e de monitoramento separado.
Como objetivo estratégico é considerada a necessidade de acelerar a investigação e a inovação em resistência antimicrobiana em todos os sectores.
A investigação multidisciplinar sobre a resistência antimicrobiana deve abranger as áreas da ciência básica, das operações clínicas e epidemiológicas e da implementação, para além de abordar as agendas de prioridades da Saúde Única e de sectores específicos.
O plano estabelece que devem ser considerados diferentes contextos para garantir políticas equitativas, baseadas na evidência e com impacto mensurável. A investigação intersectorial deve abordar lacunas de conhecimento sobre os fatores que impulsionam a resistência antimicrobiana, as vulnerabilidades, as mudanças comportamentais, a governação e as intervenções custo-efetivas e escaláveis.
Deve ser considerada a expansão da investigação, desenvolvimento e inovação para reduzir a necessidade de antimicrobianos e garantir o acesso equitativo a produtos seguros, eficazes e com garantia de qualidade para a saúde humana e animal, incluindo vacinas, novos antimicrobianos, alternativas aos antimicrobianos, agentes não tradicionais, diagnósticos nos centros médicos, soluções ambientais e inovações.
O plano prevê também a inclusão da biossegurança, da nutrição e do bem-estar animal para a prevenção e o controlo de doenças nos animais, incluindo a utilização de abordagens agroecológicas, bem como minimizar as descargas no ambiente.
As prioridades de investigação e desenvolvimento em saúde humana e animal devem ser orientadas pelas listas de agentes patogénicos prioritários bacterianos e fúngicos da OMS e pelas listas de doenças prioritárias, pelas metas de investigação e desenvolvimento e pelos perfis dos produtos-alvo, bem como pelas orientações da OMS, FAO e Organização da Saúde Animal sobre vacinas, para reduzir a utilização de antimicrobianos em humanos e animais.















