
Os riscos de disseminação de doenças é tema permanente com a crescente mobilidade de pessoas, animais e os mais variados produtos. Doenças provocada por vírus ou por bactérias estão a ocorrer em locais onde não seria esperado devido à mobilidade global, e nos últimos tempos a assumir um grave risco para a saúde pública em todo o mundo.
Mas o risco que trás o aumento das viagens, sobretudo as internacionais, não afeta só e diretamente as pessoas, também coloca em risco a segurança alimentar, através da disseminação de pragas e doenças nas plantas, provocadas pelo transporte de plantas, sementes e outros produtos vegetais entre países.
Para os riscos associados esse transporte a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA, na sigla em inglês) alertam que com a aproximação do verão e o aumento das viagens internacionais, os riscos aumentam com impacto na agricultura, na biodiversidade e na segurança alimentar.
As entidades lembram que muito antes de chegarem à mesa, os alimentos dependem da saúde das plantas. É esse ponto de partida que sustenta a produção agrícola, garante a disponibilidade de alimentos e assegura o equilíbrio dos ecossistemas. Sem plantas saudáveis, fica comprometida a existência de sistemas alimentares seguros e sustentáveis.
Dados da FAO indicam que atualmente, até 40% das culturas agrícolas são perdidas anualmente devido a estas ameaças, comprometendo a produção alimentar, a economia agrícola e a estabilidade dos ecossistemas. Fatores como a intensificação do comércio internacional, as alterações climáticas e o aumento da mobilidade global têm vindo a acelerar a propagação destes organismos e o risco da sua entrada em novos territórios.
Quando se assinala o Dia Mundial da Segurança Alimentar, 7 de junho, a DGAV, em colaboração com a EFSA, reforça a importância de uma abordagem transversal à segurança alimentar, destacando a saúde das plantas enquanto elemento essencial para proteger a agricultura, a biodiversidade e os ecossistemas.
A DGAV refere que a saúde vegetal é um dos pilares da segurança alimentar, que está diretamente relacionada com a qualidade e disponibilidade dos alimentos, a sustentabilidade da produção agrícola e a preservação ambiental. Assim, a prevenção e a sensibilização para os riscos associados à propagação de pragas e doenças das plantas assumem uma importância crescente.
No entender das duas entidades ocorre que muitas vezes sem consciência do seu impacto, pequenos gestos aparentemente inofensivos, como trazer plantas ou outros elementos naturais na bagagem, podem introduzir organismos prejudiciais com impacto na agricultura e no ambiente.
Para minimizar estes riscos, as entidades consideram ser fundamental adotar práticas, como:
- Não transportar plantas, sementes ou produtos vegetais entre países sem certificação adequada;
- Comprar plantas apenas a fornecedores autorizados;
- Estar atento a sinais de pragas ou doenças em jardins, hortas ou espaços agrícolas.
“Muitas vezes não temos consciência de que um gesto simples durante uma viagem pode facilitar a introdução de pragas com impacto na agricultura, na biodiversidade e na disponibilidade de alimentos. A prevenção começa através de escolhas informadas e de comportamentos responsáveis, que ajudam a proteger os ecossistemas e a sustentabilidade da produção agrícola”, afirmou, citada em comunicado, Ana Paula Cruz Garcia, Subdiretora Geral da DGAV.
A sensibilização para estes riscos integra também a campanha europeia #PlantHealth4Life, promovida pela EFSA e pela Comissão Europeia, que procura aproximar o tema da saúde das plantas do quotidiano dos cidadãos e incentivar comportamentos mais conscientes e responsáveis.














