O surto de Ébola pelo vírus Bundibugyo, na República Democrática do Congo, continua a crescer rapidamente, com transmissão e com um número crescente de casos a serem notificados à Organização Mundial da Saúde (OMS).
A OMS indica que até 17 de junho de 2026 tinham sido confirmados 896 casos, incluindo 232 mortes por Ébola, na República Democrática do Congo. Também, até 18 de junho de 2026, Uganda notificou a OMS de 19 casos, incluindo duas mortes pela doença, bem como um caso provável que também resultou em morte.
Sobre a situação no Uganda a OMS refere que o surto está epidemiologicamente ligado à transmissão originada na República Democrática do Congo, com evidências tanto de infeções importadas como por transmissão secundária entre contatos e profissionais de saúde.
A taxa de letalidade de 26% indicada para a República Democrática do Congo poderá ser subestimação, dado que muitos óbitos ocorridos antes da declaração do surto ainda estão a ser investigados. A OMS refere que até o momento, 78 pacientes de ébola recuperaram.
A OMS relata que até 17 de junho, foram identificados 6367 contatos e que destes, 4525 contatos foram acompanhados, o que corresponde a taxas de acompanhamento superiores 70%.
Como o surto se desenvolve num contexto humanitário complexo e afetado por conflitos, com as populações muito móveis e frequentemente deslocadas, e muitas vezes sem acesso a serviços básicos, incluindo alimentação, água potável, abrigo, assistência médica e proteção, o que representa um risco maior para as populações que vivem em campos superlotados de deslocados internos.
A doença pelo vírus Bundibugyo é uma forma grave e frequentemente fatal da doença de Ebola, causada pelo vírus Bundibugyo, uma das espécies do género Orthoebolavirus. Trata-se de uma zoonose, com os morcegos frugívoros a ser considerados o reservatório natural.
A OMS descreve que a infeção humana ocorra por contato próximo com o sangue ou secreções de animais selvagens infetados, como morcegos ou primatas não humanos, e subsequentemente se dissemine de pessoa para pessoa por contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de indivíduos infetados ou superfícies ou objetos contaminados.
A transmissão é particularmente amplificada em ambientes de saúde quando as medidas de prevenção e controlo de infeções são inadequadas e durante práticas funerárias inseguras que envolvem contato direto com o falecido.
O período de incubação da doença pelo vírus Bundibugyo varia de dois a 21 dias, e os indivíduos não são contagiosos até o início dos sintomas. Os sintomas iniciais, como febre, fadiga, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta, são inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico clínico e pode atrasar a deteção.
Os sintomas progridem para sintomas gastrointestinais, disfunção orgânica e, em alguns casos, manifestações hemorrágicas. As taxas de letalidade nos dois últimos surtos de doença pelo vírus Bundibugyo, relatados no Uganda e na República Democrática do Congo em 2007 e 2012, foram de 30% e 50%, respetivamente.















