A adolescência é um período vulnerável do desenvolvimento do cérebro que ocorre entre a infância e a idade adulta. Um período em que o consumo excessivo de álcool é frequente. Uma nova investigação desenvolvida pela Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, EUA, mostrou que o consumo excessivo de álcool na adolescência pode reprimir neurónios no cérebro, fazendo com que funcionem de forma menos normal, pois os genes necessários para a função dos neurotransmissores são desativados.
Os resultados da investigação desenvolvida em ratos foram apresentados na 49ª reunião científica anual da Sociedade de Investigação sobre Álcool, em San Antonio, Texas, EUA.
“A adolescência não é simplesmente uma versão menor da idade adulta”, disse Ryan P. Vetreno, da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. “O cérebro adolescente é excecionalmente plástico, o que favorece a aprendizagem e a adaptação, mas também cria um período de maior vulnerabilidade a danos. Durante esse período, a exposição ao álcool pode alterar a trajetória de desenvolvimento tanto dos circuitos neurais como da sinalização neuroimune, causando uma interrupção persistente da maturação cerebral normal.”
Como referiu o investigador “a adolescência é um período sensível do desenvolvimento, no qual os circuitos cerebrais envolvidos na atenção, aprendizagem, memória, tomada de decisões, controlo de impulsos e comportamento social ainda estão a ser construídos e refinados”.
Ryan P. Vetreno acrescentou: “O nosso trabalho sugere que o consumo excessivo de álcool durante a adolescência pode interferir nesse processo normal de desenvolvimento, elevando a sinalização inflamatória semelhante à imunológica no cérebro através de uma molécula-chave chamada HMGB1. Nos nossos estudos, esse processo reduz a função normal dos sistemas cerebrais que dão suporte à atenção, aprendizagem, memória, comportamento social, flexibilidade comportamental e resposta ao álcool”.
Mas para o investigador, embora as alterações relacionadas ao consumo excessivo de álcool na adolescência possam persistir na idade adulta sob a forma de deficits cognitivos e de comportamento social, algumas delas podem ser reversíveis durante a idade adulta.
“Os nossos resultados sugerem que o consumo excessivo de álcool na adolescência pode criar um estado biológico persistente, porém potencialmente tratável, em vez de danos cerebrais irreversíveis pela perda permanente de células cerebrais”, afirmou o investigador.
“A implicação para humanos é que a inflamação mediada por HMGB1 pode ser um alvo terapêutico promissor e potencialmente orientar o desenvolvimento futuro de farmacoterapia para transtornos por uso de álcool em adultos. Um futuro estudo em humanos deverá testar a segurança e, em seguida, determinar se o direcionamento dessa via melhora resultados mensuráveis, como marcadores inflamatórios, função colinérgica, cognição, sensibilidade ao álcool ou comportamento relacionado ao consumo de álcool”, concluiu o Investigador.
Para Ryan P. Vetreno estas descobertas podem beneficiar investigadores que estudam o álcool e o comportamento cerebral na adolescência, clínicos e profissionais de tratamento, interessados no impacto do álcool nas alterações cerebrais, e pais e profissionais de saúde pública que podem compartilhar a importância de adiar a exposição excessiva ao álcool durante a adolescência.















