Alterações no ADN dos tubarões permite conhecer a idade e pode dar resposta de como envelhecemos

Alterações no ADN dos tubarões permite conhecer a idade e pode dar resposta de como envelhecemos
Alterações no ADN dos tubarões permite conhecer a idade e pode dar resposta de como envelhecemos

Qual é a idade de um tubarão? A resposta pode ser dada após um novo estudo da Universidade da Geórgia (UGA) que determinou como estimar a idade de tubarões analisando alterações no ADN do animal.

Conhecidos como relógios epigenéticos, os estimadores científicos de idade concentram-se em alterações químicas, designadas por metilação do ADN, para medir o desgaste das células do animal, fornecendo uma avaliação não invasiva, rápida e precisa da idade do animal.

O modelo preditivo de relógio biológico já foi testado com sucesso em dezenas de outros animais, mas este novo estudo, já publicado na revista “Molecular Ecology”, marca pela primeira vez a utilização em tubarões.

Para os investigadores esta ferramenta que pode ajudar a lançar nova luz, não apenas sobre a evolução biológica das populações de tubarões, mas também sobre o ciclo de vida de outras criaturas marinhas com dados de envelhecimento desconhecidos.

A estrutura etária é uma das coisas mais importantes que os biólogos da conservação podem medir”, referiu Benjamin Parrott, autor correspondente do estudo, do Laboratório de Ecologia do Rio Savannah e da Escola de Ecologia Odum da Universidade da Geórgia. “Se conseguíssemos descobrir a idade dos tubarões selvagens, finalmente poderíamos entender a estrutura etária das suas populações. Isto é extremamente importante para a conservação das populações marinhas.”

A ferramenta de estimativa de idade sugere que as alterações no ADN diminuem na idade adulta. No estudo os investigadores recolheram amostras de sangue de mais de 50 tubarões-zebra em aquários do sudeste dos Estados Unidos, incluindo no Aquário da Geórgia.

À medida que os organismos envelhecem, as marcas químicas no ADN modificam-se, mas padrões previsíveis emergem com o tempo. Assim, com apenas 10 marcadores de ADN diferentes, os investigadores estimaram rapidamente a idade dos tubarões-zebra com uma margem de erro de dois anos em relação à sua idade cronológica, tudo isto sem precisar analisar uma sequência genética completa. As estimativas foram comparadas com os registos de idade dos aquários para avaliar a precisão.

Considerando que a expectativa de vida de um tubarão-zebra pode chegar a 30 anos, isto seria comparável a confundir uma pessoa com alguém de 26 anos quando, na verdade, ela tem 27.

O epigenoma é muito parecido com um celeiro antigo. Começa bem construído, mas com o tempo as coisas vão se deteriorando”, disse Benjamin Parrott. “Os nossos corpos envelhecem da mesma forma. A nossa pele muda, o nosso cabelo fica grisalho e os padrões de ADN também se alteram. Os relógios biológicos captam esse processo.

Mesmo ao testar uma dúzia adicional de tubarões capturados na natureza fora do aquário, com datas de nascimento desconhecidas, as idades determinadas estavam dentro de uma margem de três a quatro anos em comparação com as medições iniciais feitas nos tubarões quando foram capturados.

O estudo também descobriu que os tubarões-zebra podem envelhecer de forma mais acentuada antes de atingirem a maturidade sexual. As mudanças nos padrões de ADN foram mais evidentes em tubarões jovens em crescimento, antes que a taxa de mudança diminuísse na idade adulta.

Essa tendência de mudanças mais lentas em animais mais velhos coincide com o que os relógios epigenéticos têm demonstrado em mamíferos. Esta descoberta pode significar que os processos de envelhecimento permaneceram relativamente semelhantes entre os vertebrados (animais com coluna vertebral) durante milhões de anos.

Sabíamos que esse processo ocorria em muitos mamíferos e em algumas espécies não mamíferas, mas não sabíamos o quão disseminado era esse fenômeno”, disse Samantha Bock, autora principal do estudo. “Esta descoberta significa que podemos potencialmente desvendar informações importantes sobre a base da longevidade.

Compreender o envelhecimento pode melhorar a conservação da vida marinha.

Os modelos tradicionais de estimativa de idade de tubarões exigem o sacrifício do animal e a contagem dos anéis de crescimento em sua espinha dorsal. Os pesquisadores também podem estimar a idade simplesmente observando os tubarões, mas esse método nem sempre é confiável. Este novo método pode impulsionar a pesquisa sobre o envelhecimento sem prejudicar os animais.

Compreender as tendências de envelhecimento é fundamental para a saúde das espécies, afirmaram os investigadores. Os dados sobre a idade podem contribuir para o estudo das taxas de sobrevivência e das mudanças reprodutivas, além de avaliar se as populações estão a crescer ou a diminuir.

Determinar a idade de um animal costuma ser muito difícil”, disse Samantha Bock. “Mas se pudermos usar padrões epigenéticos para medir a idade dos tubarões, poderemos usá-los como uma ferramenta para observar essas tendências em populações vulneráveis.

O relógio também pode ajudar a analisar como e por que o stress, as doenças ou as pressões ambientais aceleram o envelhecimento molecular em tubarões.

Após o sucesso do relógio epigenético em tubarões-zebra, o estudo poderá servir de base para investigações em outros animais marinhos vulneráveis, auxiliando os cientistas na tomada de decisões futuras para a gestão populacional.