Medicamento para tratar cancro da mama inicial com intenção curativa é aprovado na União Europeia

Medicamento para tratar cancro da mama inicial com intenção curativa é aprovado na União Europeia
Medicamento para tratar cancro da mama inicial com intenção curativa é aprovado na União Europeia

A União Europeia (UE) aprovou o medicamento Enhertu (trastuzumab deruxtecan), da AstraZeneca e da Daiichi Sankyo, como monoterapia para o tratamento adjuvante de pacientes adultas com cancro da mama HER2-positivo ressecado que apresentam doença invasiva residual após tratamento neoadjuvante à base de taxanos e terapias direcionadas ao HER2.

A aprovação pela Comissão Europeia teve em conta o parecer positivo do Comité de Medicamentos para Uso Humano da Agência Europeia de Medicamentos. Um parecer que se baseou nos resultados do estudo de Fase III DESTINY-Breast05, que também foram apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica de 2025 e posteriormente publicados no “The New England Journal of Medicine”.

Sibylle Loibl, do Grupo Alemão de Cancro da Mama (GBG) e da Faculdade de Medicina da Universidade Goethe de Frankfurt, em Frankfurt am Main, e investigadora principal do estudo DESTINY-Breast05, afirmou:

“Para pacientes com cancro da mama inicial HER2-positivo e doença invasiva residual após terapia neoadjuvante, reduzir o risco de recorrência da doença é fundamental para resultados sustentáveis ​​a longo prazo. A aprovação do trastuzumabe deruxtecano na União Europeia, que demonstrou uma redução de mais de 50% no risco de recorrência em comparação com o tratamento padrão no estudo DESTINY-Breast05 tem o potencial de mudar a forma como tratamos pacientes elegíveis nesse contexto”, afirmou Sibylle Loibl, investigadora principal do estudo DESTINY-Breast05.

Também, Dave Fredrickson, Vice-Presidente Executivo da Unidade de Negócios de Oncologia e Hematologia da AstraZeneca, referiu: “O objetivo do tratamento do cancro da mama em estágio inicial é ajudar o maior número possível de pacientes a alcançar a cura. Infelizmente, apesar dos avanços no tratamento, algumas pacientes ainda enfrentam recidivas a longo prazo.”

Dave Fredrickson acrescentou: “A aprovação do Enhertu no contexto adjuvante para pacientes com doença residual após o tratamento neoadjuvante tem o potencial de estabelecer um novo padrão de referência nesse contexto de intenção curativa, com mais de 92% das pacientes vivas e livres de doença invasiva após três anos.”

“Ao introduzir o Enhertu no contexto adjuvante, estamos avançando com essa opção de tratamento em um estágio mais precoce da doença para pacientes com câncer de mama inicial HER2-positivo. Essa primeira aprovação do Enhertu para câncer de mama inicial na UE reflete nosso compromisso contínuo em levar medicamentos inovadores para estágios de tratamento mais precoces, onde existe um potencial significativo para melhorar os resultados a longo prazo para as pacientes”, afirmou Ken Keller, Diretor Global da Divisão de Oncologia e Presidente e CEO da Daiichi Sankyo.

No estudo DESTINY-Breast05, o Enhertu reduziu significativamente o risco de recorrência de doença invasiva ou morte (sobrevida livre de doença invasiva) em 53% e o perfil de segurança do Enhertu foi consistente com o perfil conhecido, sem que fossem identificadas novas preocupações de segurança.

Enhertu é um conjugado anticorpo-fármaco DXd direcionado especificamente ao HER2, descoberto pela Daiichi Sankyo e que está a ser desenvolvido e comercializado em conjunto pela AstraZeneca e pela Daiichi Sankyo.

Cancro da mama inicial HER2-positivo

O cancro da mama é o cancro mais comum em mulheres em todo o mundo e a principal causa de morte relacionada ao cancro entre mulheres. Aproximadamente 2,4 milhões de casos de cancro da mama foram diagnosticados em 2024, com mais de 690.000 mortes globalmente. Na Europa, foram diagnosticados em 2024 aproximadamente 540.000 casos de cancro da mama, com mais de 140.000 mortes.

A HER2 é uma proteína recetora de tirosina quinase promotora do crescimento, expressa na superfície de muitos tipos de tumores, incluindo o cancro da mama. A superexpressão da proteína HER2 pode ocorrer como resultado da amplificação do gene HER2 e está frequentemente associada a doença agressiva e mau prognóstico no cancro da mama. Aproximadamente um em cada cinco casos de cancro da mama é considerado HER2-positivo.

O cancro da mama inicial HER2-positivo é geralmente tratado em duas fases: a fase neoadjuvante (pré-cirúrgica) e a fase adjuvante ou pós-neoadjuvante (pós-cirúrgica).

Para pacientes tratadas antes da cirurgia, alcançar uma resposta patológica completa – definida como ausência de células cancerígenas invasivas no tecido mamário removido ou nos linfonodos após o tratamento neoadjuvante – é um indicador precoce de melhor sobrevida a longo prazo. No entanto, aproximadamente metade das pacientes, entre 39 a 66%, tratadas antes da cirurgia não alcançam uma resposta patológica completa, aumentando o risco de recorrência.

A terapia pós-cirúrgica oferece uma oportunidade fundamental para reduzir esse risco e prevenir a progressão para doença metastática. No entanto, aproximadamente um em cada quatro pacientes com doença residual, tratados com o padrão histórico de tratamento adjuvante, ainda apresenta doença invasiva ou óbito. Uma vez que a doença se torna metastática, a sobrevida em cinco anos cai de cerca de 90% para aproximadamente 30%.