O consumo diário de mais de nove porções de alimentos ultraprocessados aumenta em 67% o risco de sofrer um evento cardíaco grave. A conclusão de um estudo de investigação liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Houston, no Texas, e publicado no Journal of the American College of Cardiology.
Os alimentos ultraprocessados podem incluir bolos industrializados, cereais açucarados, massa instantânea, nuggets de frango congelados, refrigerantes, batatas fritas, doces, frios e refeições de fast-food. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, indicam que o americano médio consome mais de 50% de suas calorias diárias provenientes de alimentos ultraprocessados. Entre crianças e adolescentes, o consumo desses alimentos é ainda maior, chegando a quase 67%. Não
No estudo os investigadores também descobriram que o consumo de apenas uma porção de alimentos ultraprocessados aumenta o risco de doenças cardíacas em 5%.
“A maioria dos americanos em no conjunto de dados consumia cerca de 4 porções e meia por dia. Mas em outros estudos, vimos até 7 a 10 porções de alimentos ultraprocessados por dia”, disse Amier Haidar, líder do estudo. “Os números são ainda maiores quando se trata de pessoas em situação de desvantagem económica.”
No estudo que abrangeu um período de 12 anos os investigadores avaliaram a associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o desenvolvimento de doenças cardíacas. Foram considerados uma ampla gama de fatores que poderiam estar relacionados ao consumo desses alimentos, incluindo raça, sexo, nível socioeconómico, hábitos de vida e fatores de risco cardiovascular tradicionais. Os investigadores utilizaram dados de 6.800 americanos com perfis demográficos diversos. Os participantes tinham entre 45 e 84 anos e não apresentavam doenças cardiovasculares no início do estudo.
Os participantes no estudo que consumiram a maior quantidade de alimentos ultraprocessados apresentaram um risco cerca de 67% maior de desenvolver problemas cardíacos. Alimentos açucarados tenderam a representar um risco maior do que outros alimentos. Os resultados mais alarmantes do estudo realizado nos EUA foram observados entre os afro-americanos que apresentaram um risco quase duas vezes maior em comparação com outros grupos. Eles tiveram um aumento de 6,1% no risco para cada porção adicional diária de alimentos ultraprocessados, em comparação com 3,2% por porção para outros grupos.
“Devido aos determinantes socioambientais da saúde, os afro-americanos têm maior probabilidade de ter acesso limitado a opções de alimentos saudáveis e são desproporcionalmente afetados por ambientes nutricionais desfavoráveis”, disse o investigador. “É importante que todos avaliem as suas dietas e vejam quanto delas provém de alimentos ultraprocessados.”
O Investigador recomenda a substituição de certos alimentos por alimentos integrais, carnes não processadas, vegetais e frutas. Também é recomendado comprar congelados como uma opção mais económica, bem como ler os rótulos dos ingredientes ao comprar refeições prontas.














