Consumo de ovos aumenta risco de diabetes

Estudo de investigação, de longa duração, mostra que o consumo de ovos aumenta o risco de diabetes. O estudo envolveu adultos e mostrou que o efeito é mais pronunciado nas mulheres do que nos homens.

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Consumo de ovos aumenta risco de diabetes
Consumo de ovos aumenta risco de diabetes. Foto: © Rosa Pinto

Ovos mexidos, escalfados ou cozidos, são um alimento popular em todo o mundo e para muitos fazem parte do pequeno-almoço. Mas os benefícios do ovo para a saúde podem não ser o que se tem vindo a afirmar. Uma nova investigação pela University of South Australia (UniSA) mostrou que o consumo excessivo de ovos pode aumentar o risco de diabetes.

O trabalho de investigação que foi realizado em parceria com a China Medical University e a Qatar University, de 1991 a 2009 é o primeiro a avaliar o consumo de ovos numa grande amostra de adultos chineses. Os resultados do estudo foram publicados no British Journal of Nutrition.

Os investigadores descobriram que as pessoas que consumem regularmente um ou mais ovos por dia, o equivalente a 50 gramas, têm um risco aumentado de diabetes em 60%.

Dados indicam que o consumo médio de ovos por dia é de 65 g na Europa, 43 g na América, 56 g na Ásia, 93 g em África e de 20 g na Oceânia (incluindo Austrália).

Com a prevalência de diabetes na China a ultrapassar 11%, situando-a acima da média global que é de 8,5%, a diabetes tornou-se um sério problema de saúde pública.

O impacto económico da diabetes também é significativo, sendo responsável por 10% dos gastos globais em saúde, ou seja de 760 mil milhões de dólares. Na China, os custos relacionados à diabetes ultrapassaram os 109 mil milhões de dólares.

O epidemiologista e especialista em saúde pública, Ming Li, da UniSA, referiu que o aumento da diabetes é uma preocupação crescente, especialmente na China, onde as mudanças na dieta tradicional chinesa estão a afetar a saúde.

“A dieta é um fator conhecido e modificável que contribui para o início do diabetes tipo 2, portanto, é importante compreender a gama de fatores dietéticos que podem impactar a prevalência crescente da doença”, referiu Ming Li.

“Embora a associação entre comer ovos e a diabetes seja frequentemente debatida, este estudo teve como objetivo avaliar o consumo de ovos pelas pessoas a longo prazo e o risco de desenvolver a diabetes, conforme determinado pela glicemia de jejum”, explicou o investigador.

Ming Li referiu: “O que descobrimos foi que um consumo maior de ovos a longo prazo (mais de 38 gramas por dia) aumentou o risco de diabetes entre os adultos chineses em aproximadamente 25%. E “os adultos que comiam regularmente muitos ovos (mais de 50 gramas, ou o equivalente a um ovo, por dia) tiveram um risco aumentado de diabetes em 60%.” Sendo o efeito mais pronunciado nas mulheres do que nos homens.

Para Ming Li, embora os resultados do estudo sugiram que um maior consumo de ovos está positivamente associado ao risco de diabetes em adultos, são necessárias mais estudos para explorar as relações causais.

“Para vencer o diabetes, é necessária uma abordagem multifacetada que não englobe apenas a investigação, mas também um conjunto claro de diretrizes para ajudar a informar e orientar o público. Este estudo é um passo em direção a esse objetivo de longo prazo” concluiu o investigador.

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