Doentes de COVID-19 podem desenvolver doenças renais graves

Doenças renais graves aparecem com frequência em pacientes com COVID-19. Sinais de doenças renais no início da doença COVID-19 podem ser mau prognóstico, com risco de edema pulmonar e tromboembolismos, como as temidas embolias pulmonares.

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Doentes de COVID-19 podem desenvolver doenças renais graves
Doentes de COVID-19 podem desenvolver doenças renais graves. Foto: © Rosa Pinto

Os pacientes com doença renal têm um risco acrescido de se infetarem com o coronavírus e têm um curso mais grave da COVID-19, mas investigações indicam também que os rins podem ser um órgão alvo desta doença pelo coronavírus.

Dados oriundos da China sobre a COVID-19 indicam que o envolvimento renal parece ser frequente em pessoas que foram testadas positivas ao novo coronavírus. Um estudo de coorte consecutivo de pacientes COVID-19 internados em três centros hospitalares universitários em Wuhan analisou hematúria, proteinúria, concentração sérica de creatinina e outros parâmetros clínicos, bem como a taxa de incidência de Lesão Renal Aguda (LRA).

Quando da entrada no hospital, 44% dos pacientes apresentavam proteinúria e 26,7% apresentavam hematúria, e LRA ocorreu em 5,1% dos pacientes. Após o respetivo ajuste todos os indicadores de insuficiência renal foram associados a um maior risco de morte hospitalar.

Outro estudo mostrou que a incidência de LRA aumenta significativamente entre pacientes hospitalizados, os dados referem que dos 4259 pacientes que não necessitaram de ventilação mecânica, 925 tiveram LRA (ao longo do decurso da doença) e nove necessitaram de terapia de substituição renal.

A taxa dos doentes com LRA foi significativamente maior entre os pacientes ventilados, sendo que dos 1190 pacientes ventilados, 276, ou seja, 23,2%, necessitaram de tratamento dialítico.

Os autores do estudo concluíram que “a LRA ocorre frequentemente entre pacientes com COVID-19. Ocorre precocemente e em associação temporal com insuficiência respiratória e está associada a um mau prognóstico”.

A COVID-19 causa lesão renal!

Num estudo de autópsia realizado em Hamburgo, na Alemanha, amostras de diferentes tecidos de órgãos de 27 pacientes com COVID-19 autopsiados foram analisadas quanto à carga viral, e verificou-se que, embora os pulmões sejam os mais afetados pelo novo vírus, outros órgãos e especialmente os rins também são afetados.

As amostras de sete pacientes também foram utilizadas para investigar quais compartimentos renais que são particularmente afetados, e foi demonstrado que os túbulos renais e especialmente as células glomerulares tinham uma carga viral alta.

“Estas descobertas são consistentes com as observações clínicas. Os glomérulos desempenham a função de filtração dos rins e os túbulos são responsáveis ​​pela reabsorção. Verificou-se que, no início da doença COVID-19, muitos pacientes apresentavam anormalidades na urina, em particular proteinúria”, explicou Hoxha na conferência de imprensa de lançamento do Congresso da Associação Europeia de nefrologia – ERA EDTA. E acrescentou: “A questão é como essas descobertas podem ser usadas.”

Um grupo de investigação de Göttingen, que coopera estreitamente com grupos de Hamburgo, Colónia e Aachen, na Alemanha, está atualmente investigar se os sinais precoces de envolvimento renal, como proteinúria, hipoproteinemia e deficiência de antitrombina III, permitem avaliar e estratificar precocemente os pacientes. Estes pacientes correm um maior risco de desenvolver complicações como edema pulmonar e tromboembolismos, como as temidas embolias pulmonares. Ambos os sinais poderiam ser tratados profilaticamente em pacientes em risco. Um estudo recentemente está a ser realizado para investigar o significado prognóstico dos parâmetros renais.

A Alemanha não foi tão afetada pela pandemia de SARS-CoV-2 quanto muitos outros países europeus. A razão para isso é que a onda de infeção chegou à Alemanha mais tarde, tendo as autoridades sido avisadas pela situação na Itália e na Espanha e, numa fase inicial, ordenaram um bloqueio e realizaram extensos testes. Até 2 de junho de 2020, havia 182.028 casos de COVID-19 e 8.522 mortes. Como em outros países, os pacientes em diálise estavam em alto risco, devido ao fato de frequentemente serem mais velhos, apresentarem mais comorbidades e, é claro, sofrerem de um sistema imunológico comprometido. Um problema prático que aumenta o risco é que eles não podem interromper o tratamento e precisam ir a uma unidade de diálise três vezes por semana, não permitido um isolamento domiciliar rigoroso para esses pacientes em risco.

Foi criado na Alemanha um registo para investigar a prevalência e o resultado de pacientes em diálise infetados com SARS-CoV-2. Até o final de maio, cerca de 2% dos pacientes registados em diálise (cerca de 300 pessoas em 14.000) tinham resultado positivo para SARS-CoV-2 e estes pacientes tinham um prognóstico mau: a taxa de mortalidade foi de cerca de 20%. A Fase 2 do registo também vai incluir pacientes com lesão renal aguda e doença renal crónica e investigará os resultados e fatores prognósticos.

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