Férias agravam abuso de bebidas alcoólicas

Bom tempo, férias, festas regionais, festivais de música e respetivo relaxamento são ingredientes para um aumento de consumo de bebidas alcoólicas. A especialista Mónica Almeida alerta que o consumo excessivo de álcool aumenta risco de acidentes e pode indiciar doença psiquiátrica.

0
1
Partilhas
Mónica Almeida, médica da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra
Mónica Almeida, médica da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra. Foto: DR

As bebidas alcoólicas contêm etanol, uma substância psicoativa que afeta a função e neurotransmissão cerebral, e que possui propriedades intrínsecas capazes de induzir dependência. De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 3,3 milhões de pessoas morrem anualmente, em todo o mundo, como consequência do consumo abusivo de álcool, ocupando o 4º lugar no ranking de causas de morte.

Com a chegada do bom tempo e do período de férias chegam também as atividades ao ar livre, as festas regionais e os festivais de música, circunstâncias que apelam ao consumo de bebidas alcoólicas, tradicionalmente associado ao relaxamento e à diversão. O efeito de desinibição social intrínseco ao álcool pode também ser motivo de procura em pessoas com maiores limitações na interação social, sobretudo jovens, como os que sofrem de fobia social, grupo de risco para desenvolver problemas relacionados com o álcool.

O consumo excessivo de álcool constitui um sério problema de saúde pública, atuando como fator causal em inúmeras doenças. Aumenta exponencialmente o risco de acidentes em meio aquático, como afogamentos, acidentes de viação, consumo de outros estupefacientes, comportamentos sexuais de risco e comportamentos violentos.

O aumento do consumo de bebidas alcoólicas no período de férias é sobretudo preocupante nos jovens, por variadas razões, das quais se realça poder precipitar um padrão de consumo regular e problemático que se perpetua após este período.

Por isso é importante limitar o seu consumo de álcool nestas férias e ficar atento ao mesmo por parte dos seus filhos. Depois da prevenção, o reconhecimento do problema e intervenção precoces são o principal fator de bom prognóstico a médio e longo prazo, logo, não hesite em procurar ajuda especializada aos primeiros sinais de suspeição de dependência do álcool.

Autora: Mónica Almeida, médica da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra

A Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra tem por missão contribuir para o bem-estar da população através da oferta de cuidados de saúde, de atividades de formação e de investigação, na área da psiquiatria e saúde mental, de acordo com padrões de referência internacionais.

Deixe um comentário

Seja o primeiro a comentar!

wpDiscuz