Forças israelitas invadem centro de formação das Nações Unidas em Jerusalém Oriental

Forças israelitas invadem centro de formação das Nações Unidas em Jerusalém Oriental
Forças israelitas invadem centro de formação das Nações Unidas em Jerusalém Oriental

Pela segunda vez em menos de um mês, forças israelitas e autoridades municipais invadiram no dia 27 de julho de 2026 o Centro de formação de Kalandia, uma instalação da Organização das Nações Unidas (ONU) localizada em Jerusalém Oriental ocupada, interrompendo as atividades educacionais em curso e reacendendo a preocupação com a proteção das instalações da ONU sob o direito internacional, indicou Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente.

No momento da incursão não autorizada, alunos e professores estavam em aula, refere o comunicado da Agência das Nações Unidas. “Os agentes israelitas reuniram funcionários e alunos e mantiveram os mesmos confinados durante toda a operação”, e não foi apresentada qualquer justificação para a ação, tendo os funcionários municipais fotografado sistematicamente prédios, escritórios e as instalações de formação.

O Centro de formação de Kalandia detém a distinção de ser o centro de formação profissional mais antigo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina e como propriedade das Nações Unidas, goza de proteção explícita ao abrigo do direito internacional.

A Agência das Nações Unidas refere no comunicado que há mais de setenta anos, o Centro de formação de Kalandia “prepara milhares de refugiados palestinos para ingressarem nos mercados de trabalho locais e regionais. A cada ano, centenas de alunos – muitos da Cisjordânia e muitos enfrentando significativas dificuldades socioeconómicas – recebem educação profissional gratuita, adquirindo capacidades que lhes permitem garantir meios de subsistência sustentáveis ​​e mobilidade económica.”

Há vários meses que o Centro de formação de Kalandia está sob ameaça de confisco ilegal pelas autoridades israelitas, e a Agência das Nações Unidas “alertou que isso não só constituiria uma violação do direito internacional, como também resultaria na perda irreparável de oportunidades essenciais de formação profissional que a Agência oferece no âmbito do seu mandato da Assembleia Geral das Nações Unidas – oportunidades das quais os jovens refugiados palestinianos dependem para desenvolver competências, garantir emprego e construir o seu futuro.”

“Em outubro de 2025, o Tribunal Internacional de Justiça reafirmou a obrigação de Israel de facilitar as operações da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente no território palestiniano ocupado, incluindo Jerusalém Oriental.”

No comunicado a Agência indica que aproveita esta oportunidade para relembrar ao Governo de Israel a decisão do Tribunal Internacional de Justiça, que refere:

“Israel tem a obrigação de se abster de tomar quaisquer medidas executivas, administrativas, judiciais ou legislativas contra os bens e ativos das Nações Unidas e suas entidades no território palestiniano ocupado. Ações como busca, requisição, confisco, expropriação e qualquer outra forma de interferência são expressamente proibidas pelo Artigo II, Seção 3, da Convenção Geral.”

O comunicado da Agência das Nações Unidas termina instando “as autoridades israelitas a cumprirem as suas obrigações perante o direito internacional e a se absterem de qualquer interferência adicional nas instalações, no pessoal e nos beneficiários da Agência.”