Imunoterapia pode ser eficaz no combate à tuberculose

A tuberculose mata por ano 1,7 milhões de pessoas. Agora investigadores da Universidade de Notre Dame descobriram que vesículas extracelulares, que contêm ARN da bactéria, em conjunto com antibióticos podem ser uma terapia mais eficaz no combate à tuberculose.

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Imunoterapia pode ser eficaz no combate à tuberculose
Imunoterapia pode ser eficaz no combate à tuberculose. Jeffrey Schorey. Foto: Matt Cashore/Universidade de Notre Dame

Devido em parte à resistência aos antibióticos, a tuberculose mata por ano aproximadamente 1,7 milhões de pessoas em todo o mundo. Agora uma nova investigação da Universidade de Notre Dame concluiu que estruturas libertadas pelas células infetadas podem ser usadas em conjunto com antibióticos para estimular o sistema imunológico do corpo, ajudando a combater a doença.

O estudo publicado na EMBO Reports por Jeffrey Schorey e Yong Cheng do Departamento de Ciências Biológicas descreve como as estruturas, designadas vesículas extracelulares (EVs), contêm ARN de Mycobacterium da tuberculose e que é transferido para outras células. Isso inicia um sistema de combate contra a doença na forma de uma resposta imune.

As vesículas extracelulares contendo ARN de vírus tinham sido descobertas a alguns anos atrás, e agora Jeffrey Schorey e colegas investigadores descobriram o ARN de bactérias – Mycobacterium tuberculosis – nas vesículas extracelulares. Uma descoberta que levou às experiências descritas no estudo para determinar como o ARN da bactéria estava a afetar a célula “alvo”, incluindo células infetadas pelo Mycobacterium tuberculosis.

Uma descoberta importante da investigação depende dos macrófagos, que são células do sistema imunológico. Os investigadores verificaram que essas células, quando tratadas com vesículas extracelulares libertadas das células infetadas pelo Mycobacterium tuberculosis, podem controlar melhor a infeção do que os macrófagos não expostos anteriormente às vesículas extracelulares.

“Nunca antes tinha sido demonstrado que o ARN bacteriano em vesículas extracelulares pode ativar esse caminho de deteção, um que foi pensado principalmente para estar envolvido na deteção viral”, referiu Jeffrey Schorey. Os autores do estudo mostraram que os macrófagos tratados com EV produzem compostos como espécies reativas de oxigénio que podem promover a morte do Mycobacterium tuberculosis, uma vez que infecta o macrófago.

A descoberta é considerada importante porque pode levar a futuras terapias para o tratamento da tuberculose. Os dados preliminares do artigo sugerem que os antibióticos podem ser mais eficazes quando combinados com uma imunoterapia baseada no uso desses EVs. Resultados de testes em rato mostraram que um maior número de células infetadas com bactérias foram mortas com a combinação de terapias do que antibióticos ou vesículas extracelulares isoladamente.

Os investigadores vão em futuros estudos tentar a abordagem com outros modelos laboratoriais, com o objetivo de mostrar também o benefício da combinação de VEs, como tratamentos imunoterápicos, com antibióticos para tratar a tuberculose resistente a medicamentos.

Em todo o mundo, mais de 10 milhões de pessoas desenvolvem tuberculose ativa por cada ano. E mais de dois bilhões de pessoas estão infetadas com a bactéria. Isto resulta num reservatório de pessoas infetadas que podem desenvolver doenças se os seus sistemas imunológicos estiverem comprometidos.

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