A Organização Mundial da Saúde (OMS) noticiou que sobre o surto da Síndrome Respiratória do Médio Oriente por coronavírus (MERS-CoV), na Arábia Saudita, o país reportou entre 1 de janeiro e 5 de outubro de 2026, oito casos confirmados em laboratório, incluindo um óbito.
A MERS é uma doença respiratória viral zoonótica em que o principal reservatório animal são os dromedários. Dois dos casos relatados envolveram contacto direto com camelos, enquanto seis não referiram exposição conhecida a estes animais. Sete dos oito casos apresentavam comorbilidades subjacentes, fatores de risco reconhecidos para casos graves de MERS-CoV. Os casos parecem representar infeções esporádicas relacionadas com a transmissão zoonótica, e não um único surto.
A OMS indicou que a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) é uma doença respiratória causada por um coronavírus (MERS-CoV). A taxa de letalidade entre os casos confirmados é de cerca de 36%, embora esse valor possa ser uma superestimativa, visto que casos mais leves não são frequentemente detetados. A taxa de letalidade é calculada com base apenas em infeções confirmadas em laboratório, o que pode não refletir a correta taxa de mortalidade.
Os humanos contraem a MERS-CoV por contato direto ou indireto com dromedários, que é o hospedeiro natural e reservatório zoonótico do vírus. A transmissão de pessoa para pessoa é possível e ocorre predominantemente entre contatos próximos, como familiares e pessoas que moram na mesma casa, e em ambientes de saúde, no caso de profissionais de saúde e pacientes.
A OMS indicou que os maiores surtos ocorreram em instalações de saúde na República da Coreia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Fora desses ambientes, a transmissão de pessoa para pessoa documentada até o momento é limitada.
A síndrome respiratória do Oriente Médio pode ser assintomática, ou apresentar problemas respiratórios leves ou ser grave. A síndrome pode ir de um desconforto respiratório agudo até à morte.
Os sintomas comuns incluem febre, tosse e dificuldade para respirar. A pneumonia também é frequentemente observada, embora nem sempre ocorra. Alguns pacientes também apresentam sintomas gastrointestinais, como diarreia. Nos casos graves podem exigir cuidados intensivos, incluindo ventilação mecânica. Os indivíduos com maior risco de complicações graves incluem idosos, pessoas com sistema imunológico debilitado e as com doenças crónicas como diabetes, doença renal, cancro ou doenças pulmonares.
Atualmente, não há vacina ou tratamento específico disponível, embora diversas vacinas e terapias específicas para o MERS-CoV estejam em desenvolvimento. O tratamento continua a ser de suporte, com foco no controlo dos sintomas de acordo com a gravidade da doença.
Até 5 de outubro de 2026, a OMS havia sido notificada de 2.643 casos de MERS confirmados em laboratório em todo o mundo, incluindo 965 mortes, desde que o vírus foi identificado pela primeira vez em 2012. A maioria dos casos, ou seja, 84%, correspondendo a 2.232 casos e 870 mortes, foram relatados na Arábia Saudita.
A OMS prevê o surgimento de mais casos esporádicos de MERS em países onde o vírus circula em camelos e antecipa que a exportação de casos associada a viagens continuará.
Verificam-se atrasos na deteção devido a que a apresentação clínica da MERS ser semelhante à de outras infeções respiratórias, incluindo a da gripe e da COVID-19. Numerosos surtos na Arábia Saudita e na República da Coreia demonstraram que casos primários podem resultar em transmissão secundária substancial, particularmente em ambientes de saúde e por meio da importação de casos relacionados a viagens.
Entretanto, a OMS indicou que os casos recentes na Arábia Saudita não alteram a avaliação geral de risco, que permanece moderado tanto a nível regional como global, refletindo a ocorrência contínua de infeções zoonóticas esporádicas. Existe um potencial de risco para surtos associados a cuidados de saúde e a exportação internacional de casos, na ausência de transmissão sustentada de pessoa para pessoa.
A OMS indicou que continua monitorar a situação epidemiológica através do recurso à vigilância e notificação de rotina, conforme o Regulamento Sanitário Internacional (RSI 2005), e que realiza avaliações de risco contínuas utilizando as informações epidemiológicas e virológicas disponíveis.















