
Quando adicionada à quimioterapia padrão, uma versão clínica do suplemento alimentar L-glutamina melhorou a sobrevida num ensaio clínico de fase I com pacientes com cancro do pâncreas avançado. O estudo, liderado por investigadores da Universidade de Ciências da Saúde Cedars-Sinai, já tem os resultados publicados na revista “Nature Cancer”.
A L-glutamina, um aminoácido que ocorre naturalmente no corpo e desempenha um papel importante na digestão, que tem sido estudada como uma forma potencial de aliviar os efeitos colaterais de outros tipos de cancros. Mas este foi o primeiro ensaio clínico a avaliar o aminoácido como uma terapia anticancerígena em pacientes humanos, afirmou Jun Gong, diretor médico de Cancro Colorretal no Cedars-Sinai Cancer e primeiro autor do estudo.
“O tratamento atual para o câncer de pâncreas em estágio 4 consiste numa combinação de quimioterapia, com sobrevida global variando de oito a 13 meses”, disse Jun Gong. “Descobrimos que, ao adicionar L-glutamina a esse tratamento, aumentamos a sobrevida global para até 22 meses – e esses resultados positivos justificam a realização de ensaios clínicos maiores com esta combinação.”
Neste ensaio clínico de Fase I, os investigadores estudaram 16 pacientes com cancro do pâncreas avançado. Todos os pacientes foram tratados com uma combinação padrão de quimioterapia de gencitabina e nab-paclitaxel, juntamente com suplementos de L-glutamina de grau clínico.
“Iniciamos o estudo clínico na esperança de melhorar a saúde intestinal desses pacientes”, disse Neil Bhowmick, investigador científico do Cedars-Sinai Cancer e autor sénior do estudo. “Pacientes com cancro do pâncreas não absorvem bem os nutrientes e frequentemente desenvolvem uma condição chamada caquexia – perda de peso e massa muscular que pode ser fatal. Sabe-se que a glutamina ajuda na melhoria do intestino.”
Metade dos pacientes no estudo manteve o peso, e os investigadores encontraram uma correlação entre a forma como as bactérias no intestino respondiam à glutamina e os resultados dos pacientes, disse Jun Gong.
“Na época da publicação do nosso artigo, a expectativa de vida desses pacientes que tomavam glutamina e quimioterapia era mais do dobro da expectativa de vida média associada ao padrão histórico de tratamento”, disse Jun Gong. “O estudo não comparou as duas opções diretamente, mas o resultado é suficientemente impressionante para avançarmos para um ensaio clínico randomizado maior, no qual os pacientes recebem glutamina ou não.”
Em laboratório, os investigadores também descobriram que as células cancerígenas expostas a altas doses de glutamina eram particularmente vulneráveis à quimioterapia, um resultado que está em consonância com a redução do tamanho do tumor observada nos pacientes.
Entretanto os investigadores lembraram que os suplementos utilizados no estudo estão aprovados pela Agência de Medicamentos dos EUA (conhecida pela sigla em inglês FDA) para o tratamento da anemia falciforme.
“A taxa de sobrevivência para o cancro pancreático avançado é baixa”, disse Robert Figlin, diretor interino do Cedars-Sinai Cancer. “Este estudo aponta para uma nova opção potencial para otimizar a quimioterapia de primeira linha para pacientes, além de abrir uma série de novos caminhos para os médicos-cientistas estudarem.”














