Morreu António Lobo Antunes um dos maiores escritores de língua portuguesa

Morreu António Lobo Antunes um dos maiores escritores de língua portuguesa
Morreu António Lobo Antunes um dos maiores escritores de língua portuguesa. Foto: Wikipedia

Morreu o escritor António Lobo Antunes, um dos mais premiados da literatura, Doutor honoris causa por Universidades em Portugal e no estrangeiro, distinguido com as mais altas condecorações em Portugal e em França e autor de dezenas de obras. O Conselho de Ministros, presidido pelo Presidente da República, aprovou o decreto que determina um dia de luto nacional, a 7 de março de 2026, em homenagem ao escritor.

Por proposta do Governo o Presidente da República irá atribui a condecoração do Grande-Colar da Ordem de Camões a António Lobo Antunes.

Também a Câmara Municipal de Lisboa manifestou, em comunicado, o mais profundo pesar pelo falecimento de António Lobo Antunes, um dos maiores escritores de língua portuguesa e da literatura contemporânea, e decretou Luto Municipal em sua homenagem para dia 7 de março de 2026.

Tivemos a sorte e o privilégio de viver no tempo de António Lobo Antunes. Tivemos a sorte e o privilégio de ver o fruto da sua obsessão pela escrita. Tivemos a sorte e o privilégio de ver nele o maior intérprete do Portugal do nosso tempo: do fim do império, da experiência da guerra, da psicologia tão complexa deste nosso velho país”, afirmou, citado em comunicado, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, em mensagem de condolências.

Carlos Moedas acrescentou: “Não tenho dúvidas de que Lobo Antunes faz hoje parte da rara aristocracia da literatura mundial, onde estão os grandes mestres que nos habituámos a admirar. Hoje só podemos dizer, com orgulho, que fomos a cidade e a pátria de António Lobo Antunes”.

Assim, no dia 7 de março, a Bandeira do Município de Lisboa bem como a Bandeira Nacional estarão a meia haste em todos os edifícios e equipamentos públicos e municipais, em homenagem ao escritor.

O Presidente da República Eleito, António José Seguro, escreveu nas contas nas redes sociais, “Recebi com enorme tristeza a notícia da morte de António Lobo Antunes, uma das vozes maiores da literatura portuguesa contemporânea.

A sua obra, profundamente marcada pela lucidez, pela memória e pela exigência moral com que olhou o país e a condição humana, ocupa um lugar incontornável na nossa cultura. Ao longo de décadas, os seus livros desafiaram leitores, abriram caminhos na literatura e deram à língua portuguesa uma expressão singular de intensidade e verdade.

António Lobo Antunes foi um escritor de rara coragem intelectual, capaz de transformar a experiência individual e colectiva em literatura de grande fôlego. A sua escrita ficará como um testemunho poderoso do nosso tempo e como um património duradouro da cultura portuguesa.

Neste momento de pesar, apresento as minhas mais sentidas condolências à sua família, aos seus amigos e a todos os leitores que, em Portugal e no mundo, encontraram nos seus livros uma forma única de compreender a vida.

A melhor homenagem que lhe podemos prestar será continuar a ler a sua obra e a reconhecer nela uma parte essencial da nossa memória cultural.”

Marcelo Rebelo de Sousa, atual Presidente da República, em nota publicada na página oficial no website da presidência escreveu: “Publicado em 1979, “Memória de Elefante” foi um dos livros mais significativos da cultura portuguesa em liberdade. O estilo dessa obra de estreia, e das seguintes, denso mas coloquial, memorialístico, provocador, poético e político, marcou um novo tom no romance português, género que teria na década de 1980 assinalável sucesso crítico e editorial, e inédita repercussão no estrangeiro.

António Lobo Antunes escreveu toda a sua obra de romancista, mas também de cronista, num registo de ternura contundente, com a mágoa e o fracasso das vidas comuns postos lado a lado com as tragédias políticas, o excesso e a empatia. Herdeiro de Céline, de Faulkner, de Cardoso Pires, Lobo Antunes deixou uma bibliografia vasta, visceral, sofisticada em termos narrativos, atenta ao quotidiano, e muito tributária de experiências como a guerra e a prática clínica da psiquiatria.

Ninguém terá sido mais imitado pelas gerações seguintes do que Lobo Antunes, poucos foram tão lidos, traduzidos, premiados e estudados. Isto sem nunca procurar qualquer unanimidade, sendo conhecido pelas opiniões fortes, que a prática da crónica converteu de certo modo em compreensão da melancolia e da fúria de viver.

Seu leitor, admirador e amigo há décadas, pude em 2022 atribuir-lhe as insígnias da Grã-Cruz da Ordem de Camões, com a certeza de que poucos representaram tão bem a grandeza literária de um país territorialmente pequeno. Vou agora depositar junto dele o Grande-Colar da mesma Ordem, símbolo máximo da literatura portuguesa.

A sua mulher, filhas e demais familiares manifesto o meu pesar e a grata homenagem de todos os que viveram com os livros e através dos livros de António Lobo Antunes.