Os micróbios no intestino usam moléculas de sinalização química especializadas para comunicarem. Estas moléculas poderão vir a ajudar os médicos a entender quais pacientes com colite ulcerativa que possuem maior probabilidade de vir a desenvolver cancro do cólon.
Um estudo coliderado por investigadores da Cedars-Sinai Health Sciences University tendo os resultados já sido publicado na revista Gastroenterology, mostra que os investigadores descobriram que as moléculas a que designam por moléculas de deteção de quórum (QSM, na sigla em inglês) são uma ligação entre o microbioma intestinal e o risco de cancro.
A colite ulcerativa é um tipo de doença inflamatória intestinal (DII) que causa inflamação crónica e feridas no cólon, uma doença que ”aumenta muito o risco de uma pessoa desenvolver cancro colorretal, mas não temos um método não invasivo para determinar a magnitude desse risco para cada paciente”, disse Hajar Hazime, cientista envolvido no estudo no Laboratório Abreu do Cedars-Sinai e coautora principal do estudo.
“Fazer colonoscopias de vigilância frequentes pode ajudar, mas preparar-se para esse procedimento é especialmente difícil para alguém com colite ulcerativa”, acrescentou a cientista.
Ora, os resultados da colonoscopia podem ser inconclusivos, o que coloca ao médico e ao paciente a decisão de remover todo ou parte do cólon para prevenir o desenvolvimento de cancro, esclareceu Hajar Hazime. No entanto, os investigadores indicaram que esperavam encontrar uma maneira mais firme e menos invasiva de rastrear os pacientes com colite ulcerativa.
“Os nossos médicos-cientistas trabalham continuamente para melhorar o rastreio do cancro para nossos pacientes”, disse Robert Figlin, diretor interino do Cedars-Sinai Cancer. “Tratamos mais de 60 tipos de cancro, mas o nosso objetivo final é a prevenção.”
O intestino de cada pessoa é povoado por triliões de micróbios – bactérias, vírus, fungos e outros organismos pequenos que não são vistos a olho nu. Esses microrganismos interagem entre si e parecem influenciar diversos aspetos da saúde de uma pessoa, incluindo a Doença Inflamatória Intestinal (DII).
A cientista Hajar Hazime afirmou que os micróbios usam QSM para comunicarem e coordenarem o comportamento, e que um dos objetivos do estudo era determinar se os QSM desempenham um papel no desenvolvimento de cancro do cólon em pacientes com colite ulcerativa.
Os investigadores ao examinarem amostras de sangue de pacientes humanos com colite ulcerativa e ao realizarem experiências com organoides de cólon e ratos, descobriram:
No sangue de pacientes com colite ulcerativa, encontraram níveis mais elevados de QSM em pacientes com maior risco de cancro, que apresentavam sintomas há 10 anos ou mais, do que em pacientes com menor risco de cancro, com sintomas há cinco anos ou menos.
Em organoides de cólon, que são pequenos aglomerados de células que mimetizam algumas funções do cólon humano, a exposição a QSM causou inflamação, que é um fator de risco para o desenvolvimento de tumores. Como os organoides não contêm microbiota intestinal, permitiu demonstrou que níveis elevados de QSM e a atividade dos microrganismos que eles regulam podem aumentar o risco de cancro.
Em ratos criados em laboratório com uma condição semelhante à colite ulcerativa, os investigadores encontraram níveis mais elevados de QSM no sangue dos que desenvolveram tumores em comparação com os que não vieram a desenvolver. Também verificaram que os ratos expostos a níveis adicionais de QSM desenvolveram mais tumores, e mais rapidamente, do que os que não foram expostos.
“Os resultados mostram que as moléculas de deteção de quórum não estão apenas associadas ao risco de cancro do cólon em pacientes com colite ulcerativa, mas contribuem para a formação dos tumores”, disse Maria Teresa Abreu, diretora executiva do Instituto de Doenças Inflamatórias Intestinais F. Widjaja e coautora correspondente do estudo. “Isso torna essas moléculas uma forma potencial de rastrear pacientes quanto ao risco de cancro, mas também um possível alvo para reduzir esse risco.”
Os investigadores indicaram que irão concentrar-se em identificar como as QSM contribuem para a formação de tumores, estudar as moléculas como um biomarcador para prever o desenvolvimento do cancro e encontrar formas de direcionar estas moléculas para interromper o desenvolvimento do cancro.














