No Médio Oriente a frágil extensão do cessar-fogo oferece uma pausa limitada e incerta nas hostilidades em partes da região, mas a situação continua altamente instável. Ao mesmo tempo, refere a Organização Mundial da Saúde (OMS), as ameaças agudas e persistentes para a saúde continuam nos países afetados. Ameaças impulsionadas por deslocações de grande número da população, pela sobrelotação de abrigos coletivos e interrupção generalizada de serviços essenciais.
O relatório da OMS sobre a situação do conflito no Médio Oriente indica que as lesões relacionadas com traumas, as interrupções no tratamento de doenças não transmissíveis (DNT) e o acesso limitado a medicamentos essenciais continuam a representar os riscos para a saúde mais imediatos e consequentes.
No Líbano são muito poucos os que conseguiram regressar à sua habitação, mas mais de um milhão de pessoas continua deslocada, com risco elevado de surtos de doenças transmissíveis, incluindo diarreia aquosa aguda e cólera, devido à deterioração ou ausência dos sistemas de água, saneamento e higiene.
Mesmo tendo sito relatado nenhum novo incidente ambiental durante a semana, persistem riscos que vêm de danos anteriores nas infraestruturas energéticas e hídricas, incluindo potencial contaminação e ameaças contínuas aos sistemas de dessalinização da água.
A disponibilidade reduzida de transportes está a restringir as cadeias de abastecimento médico e a cadeia de frio, embora, indica a OMS, não tenham ocorrido falhas em grande escala na cadeia de frio. Os relatórios da OMS indicam alguma redução na produção de produtos farmacêuticos e médicos devido a restrições de combustível e petroquímicos.
Algumas medidas de mitigação estão a ser implementadas em vários países, incluindo a de dar prioridade a combustível para hospitais e serviços de saúde essenciais, ao mesmo que são reforçados os geradores de reserva para numa situação de rotura manter os cuidados essenciais.
No caso da deslocação interna e transfronteiriça do Líbano esta pode interromper ainda mais os cuidados de saúde primários, os serviços de saúde materno-infantil e a gestão de doenças não transmissíveis, bem como impõe uma pressão adicional sobre os sistemas de saúde já frágeis.
Os dados de um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) apontam que os impactos socioeconómicos da atual crise são substanciais, com até 8,8 milhões de pessoas em risco de cair na pobreza, incluindo mais de 5 milhões no Irão, e projeções sobre perdas económicas que apontam para 299 mil milhões de dólares.














