
O conflito no Médio Oriente está a ter impacto na atividade das empresas que operam no setor da produção e distribuição de dispositivos médicos em Portugal, alerta a Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED).
A APORMED também refere que já, anterior ao atual conflito, o setor estava a ser negativamente impactado com as tarifas aduaneiras impostas pelos EUA.
Atualmente os principais constrangimentos às empresas vem dos elevados aumentos dos custos da energia e dos transportes e com o aumento muito significativo, entre 15% a 40%, de várias matérias-primas utilizadas no fabrico e na esterilização de dispositivos médicos, tais como o PVC, o polietileno, o polipropileno, o alumínio, o aço, o óxido de etileno e o hélio, entre outras.
Para João Gonçalves, Diretor Executivo da APORMED, “caso o conflito se prolongue e não sejam tomadas medidas preventivas, existe o risco de escassez de alguns produtos devido essencialmente à erosão das margens causadas pelos custos externos não controláveis pelas empresas (logística, matérias-primas e energia) e pela dificuldade em refletir os aumentos de custos no cliente final quando se trata de um hospital público com concursos a decorrer e cujo preço foi previamente estabelecido antes deste conflito”.
A APORMED alerta que a situação pode “tornar-se mais crítica visto que o Orçamento do Estado para 2026 contempla um corte de 10,1% na despesa com a rubrica de aquisição de bens e serviços para a área da saúde e consequente diminuição na despesa com dispositivos médicos. Poupar neste setor pode significar redução da atividade hospitalar, com impacto nas listas de espera para cirurgias e consultas médicas”.
A Associação que representa os Administradores Hospitalares assumiu que não se verificam ainda falhas generalizadas de faltas de dispositivos médicos. No entanto, APORMED indica haver relatos que alguns hospitais estão com dificuldades na compra de consumíveis, como luvas de exame e de outros equipamentos de proteção individual.
Em face previsível de dificuldades de consumíveis nos Hospitais a APORMED refere que tem total disponibilidade para colaborar e articular-se com as autoridades nacionais na procura de soluções equilibradas que permitam resolver ou mitigar eventuais cenários de ruturas de abastecimento.











