Recorrendo à inteligência artificial (IA), investigadores criaram um modelo de risco para o cancro da mama baseado em imagens de mamografia digital, com o objetivo de identificar as pessoas com o maior risco de desenvolver a doença num período de 10 anos.
O modelo de IA superou a ferramenta padrão atual de previsão de risco clínico para 10 anos e conseguiu identificar 40% dos casos de cancro da mama utilizando as diretrizes clínicas, o que sugere que possa vir a ser integrado nos protocolos de rastreio existentes para melhorar a prevenção primária.
O aumento da incidência do cancro da mama, em todo o mundo, levou os médicos a concentrarem-se fortemente na prevenção através de mudanças no estilo de vida e de ferramentas de rastreio, como as mamografias.
Ora, nesta designada prevenção primária, estas táticas funcionam melhor quando dirigidas a mulheres com maior risco de virem a desenvolver tumores.
Os médicos utilizam frequentemente modelos de estilo de vida, como o modelo Tyrer-Cuzick-v8 – uma ferramenta que mede a probabilidade de uma pessoa apresentar mutações genéticas especificas relacionadas ao cancro da mama -, mas novos modelos baseados em IA podem superar o desempenho do modelo tradicional.
No entanto, estes modelos de IA são concebidos principalmente para prever o risco a curto prazo. Para satisfazer a necessidade de uma ferramenta de avaliação de risco a longo prazo, o investigador Mikael Eriksson e os seus colegas investigadores criaram um modelo de risco baseado em IA para o cancro da mama invasivo e in situ, com uma duração de 10 anos.
Para validar o modelo os investigadores recolheram dados de mamografias digitais de um total de 8.696 pessoas em duas grandes coortes nos EUA e na Suécia, entre 2010 e 2020, incluindo 1.633 doentes com cancro da mama.
O modelo calculou riscos globais a 10 anos de 3,83% e 3,14% para cada coorte, respetivamente, e apresentou um desempenho promissor na estimativa do risco de tumores invasivos a 10 anos.
Neste caso o modelo IA superou tanto o modelo Tyrer-Cuzick-v8 como um modelo de risco de IA de 5 anos (Mirai) na previsão de cancros nos 10% de pessoas com maior risco. Os investigadores alertam que a maioria dos participantes do estudo era de ascendência europeia. “Isto sublinha a necessidade de avaliar melhor o modelo em populações diversas e para o uso pretendido antes de considerar a sua aplicação clínica”.















