Movimento. O melhor remédio para as suas costas

Hugo Aleixo, ortopedista, cirurgião da Coluna Vertebral, especialista em Cirurgia Minimamente Invasiva (MISS), membro da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV)
Hugo Aleixo, ortopedista, cirurgião da Coluna Vertebral, especialista em Cirurgia Minimamente Invasiva (MISS), membro da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV). Foto: DR

Chegou o bom tempo e com ele voltam as caminhadas ao final do dia, o padel à terça-feira à noite, o golfe ao sábado de manhã, as primeiras idas à praia. A vida sai de casa. E todos os anos, sem falhar, voltam também ao meu consultório os pacientes com dores nas costas. Muitos deles convencidos de que a solução é parar. A mensagem que lhes deixo em consulta é a mesma que quero deixar aqui. Não fique em repouso. Mexa-se.

O mito do repouso absoluto enquanto cura para a dor lombar é dos mais resistentes com que lidamos. A evidência científica é clara há mais de duas décadas. Salvo em situações muito específicas de lesão aguda, ficar parado faz precisamente o contrário do que se pensa. Prolonga a dor, enfraquece a musculatura de suporte da coluna e atrasa a recuperação. O corpo humano foi feito para se mexer e quando deixa de o fazer, paga a fatura.

O movimento regular continua a ser o melhor medicamento disponível para a coluna vertebral. Não tem efeitos secundários, não tem preço e está ao alcance de qualquer pessoa, em qualquer idade. Caminhar, fazer yoga, pilates ou hidroginástica são excelentes formas de manter a coluna saudável e prevenir o aparecimento de dor lombar.

Há aqui, contudo, um ponto que escapa à maioria das pessoas e que faz toda a diferença na prática. Caminhar é importante, mas não chega. Para uma coluna bem protegida, é preciso incluir trabalho de força nos músculos da cintura para cima, sobretudo nos que estabilizam o tronco. São esses os músculos que funcionam como o cinto natural da coluna. Quando estão fortes, ela está protegida. Quando estão fracos, qualquer esforço do dia a dia pode passar a doer.

Para quem já vive com dores nas costas, a recomendação não muda muito, embora exija algum cuidado adicional. O movimento deve ser adequado e progressivo. Retomar a atividade física depois de meses parado não pode ser um regresso ao ritmo de há cinco anos. Convém começar devagar, escolher modalidades de baixo impacto, ouvir o corpo e procurar acompanhamento profissional sempre que a dor não cede ou começa a limitar o dia-a-dia.

Convém ainda desmontar outra ideia muito comum em consulta. Ter dor lombar não significa, na maior parte dos casos, ter uma lesão grave que exija cirurgia. A maioria das dores lombares resolve-se com movimento, tratamento conservador e, quando faz sentido, fisioterapia. A cirurgia da coluna tem hoje critérios bem definidos e, quando é mesmo necessária, é feita com técnicas minimamente invasivas que tornam a recuperação muito mais rápida do que era há alguns anos. Continua, ainda assim, a ser a última linha. Nunca a primeira.

Aproveite o bom tempo. Saia de casa. Caminhe, ande de bicicleta, vá à praia, brinque com os filhos no parque. Reserve dois ou três dias por semana para um trabalho mais estruturado de força. Mexa-se pela sua saúde. Não importa a modalidade ou o desporto, mexa-se.

A campanha Olhe pelas Suas Costas, que há mais de uma década promove a literacia em saúde da coluna em Portugal, tem trabalhado este princípio. Prevenir é sempre melhor do que tratar, e o movimento é a primeira linha da prevenção.

A sua coluna não precisa de descanso. Precisa de uso.

Para mais informações, consulte o website da Campanha Olhe pelas suas Costas: https://olhepelassuascostas.pt/

Autor: Hugo Aleixo, ortopedista, cirurgião da Coluna Vertebral, especialista em Cirurgia Minimamente Invasiva (MISS), membro da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV)