
Uma Estratégia Industrial Verde foi definida pelo Governo para alancar investimento que leve uma transição energética e à inovação em setores industriais de uso intensivo de energia. Assim, como descreve em comunicado conjunto o Ministério da Economia e da Coesão Territorial e o Ministério do Ambiente e Energia, irão ser identificadas “as cadeias de valor prioritárias e do seu potencial de descarbonização e as oportunidades de investimento tecnológico, industrial e económico, associadas à industrialização verde.”
Estimar os impactos socioeconómicos e energéticos, identificar os principais constrangimentos regulatórios, financeiros e infraestruturais, bem como as medidas para acelerar a transição energética são peças fundamentais para a Estratégia Industrial Verde.
Uma estratégia que descreve o comunicado “pretende transformar as vantagens competitivas do país – energia renovável, custos energéticos competitivos, localização estratégica, capacidade industrial instalada e talento qualificado – em investimento produtivo, criação de emprego qualificado, inovação tecnológica e crescimento económico.”
Para o Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, “Portugal reúne condições únicas para transformar a energia num verdadeiro ativo estratégico. Estas condições colocam o país numa posição privilegiada na nova geografia industrial europeia”.
Assente no que são consideradas vantagens competitivas de Portugal, como: os preços de eletricidade abaixo de outros países na União Europeia, uma percentagem de aproximadamente 80% de energia a partir de fontes renováveis e uma infraestrutura digital de cobertura do país com cerca de 98% em fibra ótica.
Partindo destas premissas é esperado que a estratégia impulsione novas cadeias de valor, nomeadamente: Indústrias pesadas verdes; aço descarbonizado; eletrificação da economia; armazenamento de energia, gases renováveis, captura e utilização de carbono; mobilidade elétrica, baterias e outras soluções industriais essenciais à transição energética.
“A descarbonização da indústria exige soluções tecnológicas adaptadas à realidade de cada setor. Esta Estratégia permitirá acelerar a substituição progressiva dos combustíveis fósseis através da eletrificação e da utilização de gases renováveis, ao mesmo tempo que promove tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono nos setores em que as emissões são mais difíceis de eliminar. O objetivo é transformar a transição energética numa oportunidade para reforçar a competitividade da indústria portuguesa, atrair investimento e criar emprego qualificado”, referiu, citada em comunicado, a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
A indústria a que se refere Graça Carvalho representa uma parcela significativa do consumo energético em Portugal e de valor, com os dez principais setores a concentrarem cerca de 93% do consumo energético e 58% do Valor Acrescentado Bruto industrial. A Estratégia Industrial Verde poderá ter um elevado impacto na descarbonização e logo na competitividade da economia.
Em Portugal o sucesso da estratégia definida pelo Governo coloca como “prioridade capturar o valor económico da transição energética”, usando “a vantagem energética para reduzir custos operacionais, aumentar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas nacionais.”
As condições favoráveis da posição portuguesa em energias renováveis deverá conduzir a que a energia deixe de ser um fator de custo, e uma dependência geoeconómica para, refere o comunicado, “se afirmar como um ativo estratégico central à criação de valor e à atração de investimento.”
A iniciativa do Governo surge em linha com as políticas industriais a nível da União Europeia, como o Net-Zero Industry Act e o Critical Raw Materials Act, que têm o objetivo de reforçar a autonomia estratégica e impulsionar uma nova vaga de reindustrialização. O Governo pretende com Estratégia Industrial Verde apresentar o país “como destino prioritário para investimento industrial”, ao reunir “energia competitiva, localização estratégica e estabilidade regulatória.”
Uma iniciativa que o Governo indicou irá ser desenvolvida por entidades especializadas e em articulação com o tecido empresarial e científico, em que participam a Agência para a Energia (ADENE) e a Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI), com a colaboração do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a Direção-Geral da Economia (DGE).
Para a concretização da proposta de Estratégia Industrial Verde esta deverá integrar, como refere o comunicado dos dois Ministérios, “um diagnóstico das cadeias de valor nacionais e do seu potencial de descarbonização, uma avaliação das oportunidades de desenvolvimento tecnológico, industrial e económico associadas à industrialização verde e uma estimativa dos respetivos impactos socioeconómicos e energéticos.”
A proposta deverá também permitir “a identificação dos principais constrangimentos regulatórios, financeiros, de qualificação e infraestruturais, bem como das medidas necessárias para os ultrapassar”, bem como “a definição das ações prioritárias, respetivo calendário de implementação e modelo de governação para assegurar o acompanhamento e monitorização da Estratégia.”














