Ferramenta de Inteligência Artificial ajuda dermatologistas a avaliar risco de cancro em lesões da pele

Ferramenta de Inteligência Artificial ajuda dermatologistas a avaliar risco de cancro em lesões da pele
Ferramenta de Inteligência Artificial ajuda dermatologistas a avaliar risco de cancro em lesões da pele

Investigadores da Mayo Clinic descobriram que uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) pode fornecer aos dermatologistas informações adicionais para ajudar a avaliar se as lesões de pele são cancerígenas e orientar as decisões clínicas sobre a necessidade de biópsia ou monitoramento, indica estudo já publicado na revista Mayo Clinic Proceedings.

A ferramenta, Dermoscopy Explainable Intelligence (DEXI), faz parte de um sistema avançado de imagem que os dermatologistas utilizam para capturar e acompanhar lesões de pele ao longo do tempo. A DEXI atribui às lesões uma pontuação de 0,0 a 10,0 com base em características da imagem associadas ao risco de cancro. A ferramenta também identifica características, como assimetria, borda e cor, que contribuem para a pontuação, fornecendo aos dermatologistas informações adicionais que podem ser consideradas juntamente com a avaliação clínica.

Os investigadores avaliaram os escores da DEXI para lesões de pele com diagnósticos conhecidos. Usando um limiar de 3,0, o que significa que um escore de 3,0 ou superior foi considerado positivo para potencial cancro da pele, a DEXI identificou corretamente 93,4% das lesões cancerígenas e 75% das lesões não cancerigenas.

“Antes do estudo, analisava a pontuação DEXI de um paciente, mas não sabia exatamente o que fazer com o número”, afirmou Jenny Link, dermatologista da Mayo Clinic e autora principal do estudo. “Agora posso usar a pontuação com confiança como mais um dado para apoiar o julgamento clínico sobre recomendar ou não uma biópsia ou apenas monitorar.”

Estudo avalia uso clínico da DEXI

Uma ferramenta de aprendizagem profunda treinada com mais de 66.000 imagens de dermatoscopia anotadas. Além de atribuir uma pontuação sobre risco de cancro, a ferramenta usa Inteligência Artificial (IA) para indicar quais as características da imagem que contribuíram para a pontuação atribuída.

O estudo retrospetivo incluiu 178 pacientes submetidos a fotografia de corpo inteiro, imagens sequenciais de dermatoscopia digital e subsequente biópsia de uma ou mais lesões cutâneas.

Os investigadores analisaram 261 lesões com pontuação DEXI e diagnóstico confirmado por exame de tecido. Foram comparadas as pontuações de lesões cancerígenas e não cancerígenas e foram separadas as lesões cancerígenas em melanoma e cancro da pele não melanoma.

A pontuação média do DEXI foi de 2,5 para lesões não cancerosas, em comparação com 7,8 para cânceres de pele não melanoma e 6,0 para melanomas. As lesões cancerosas apresentaram pontuações de DEXI significativamente mais altas do que as lesões não cancerosas. Com base nestas descobertas, os investigadores identificaram 3,0 como um possível limiar que poderia auxiliar os médicos na tomada de decisões sobre monitoramento ou biópsia.

“Identificamos 3,0 como um possível limiar de pontuação DEXI que pode fornecer informações úteis quando os dermatologistas estão a considerar se devem monitorar uma lesão ou realizar uma biópsia”, afirmou Jenny Link.

Os investigadores também identificaram limitações, pois a DEXI não leva em consideração fatores específicos do paciente, como idade, medicamentos e histórico do melanoma. A ferramenta também se mostrou menos eficaz na avaliação de nevos atípicos graves, ou pintas na pele, e melanomas em estágio inicial de desenvolvimento.

“O nosso estudo demonstrou que a DEXI é uma ferramenta útil e valiosa para auxiliar os médicos na avaliação de lesões cutâneas cancerígenas e não cancerígenas, mas não deve ser usada isoladamente. A pontuação deve ser interpretada em conjunto com os dados clínicos e os fatores específicos do paciente, e a ferramenta requer mais validação e melhoramento”, afirmou Jenny Link.