A verdadeira ameaça do açúcar nas crianças

A verdadeira ameaça do açúcar nas crianças
A verdadeira ameaça do açúcar nas crianças. Foto: Rosa Pinto

São conhecidos os perigos do consumo excessivo de doces e no caso das crianças os perigos do açúcar na alimentação está muitas vezes bem à vista. Um cada vez maior número de estudos de investigação revela que o consumo excessivo de açúcar na infância está ligado a uma lista alarmante de problemas de saúde a longo prazo, incluindo um risco aumentado de doenças cardíacas, além de obesidade e diabetes tipo 2.

Crianças que consomem mais de 10% de calorias diárias provenientes de açúcares adicionados têm maior probabilidade de apresentar níveis anormais de colesterol e correm maior risco de desenvolver diabetes tipo 2, uma condição era principalmente observada em adultos. Colesterol e diabetes tipo 2 que estão ligadas a doenças cardíacas. Também a Doença Hepática Esteatótica associada à disfunção Metabólica (DHEM) que era anteriormente chamada doença hepática gordurosa não alcoólica, é outro fator de risco associado ao aumento da ingestão de açúcar.

A Associação Americana do Coração numa declaração científica observa que o consumo de alimentos e bebidas com alto teor de açúcar adicionado durante a infância está associado ao desenvolvimento de fatores de risco para doenças cardíacas. Incluindo um risco aumentado de obesidade e pressão arterial elevada. A Associação recomenda que crianças entre 2 e 18 anos consumam menos de 25 gramas, ou seja 6 colheres de chá, de açúcar adicionado por dia.

O açúcar vem de várias fontes e a maior nas dietas de crianças e adolescentes vem das bebidas açucaradas. Em média, o açúcar representa 17% da ingestão calórica diária de uma criança, e metade disso vem diretamente de bebidas como refrigerantes, sumos de frutas, bebidas desportivas e chás açucarados. Muitas dessas bebidas, algumas comercializadas como saudáveis, contêm quantidades alarmantes de açúcar. Uma única lata de refrigerante de 355 ml pode conter quase 10 colheres de chá de açúcar.

Os pais costumam ficar atentos ao consumo de doces, mas a verdadeira ameaça do açúcar para a saúde a longo prazo nas crianças está à vista de todos na seção de bebidas“, alerta Meghan Tozzi, cardiologista pediátrica do Hospital Infantil Joseph M. Sanzari, do Hackensack Meridiian, Centro Médico da Universidade de Hackensack. “A verdade alarmante é que uma única bebida açucarada pode conter mais do que o limite diário de açúcar recomendado para uma criança. Uma overdose constante de açúcar é um dos principais fatores que contribuem para a obesidade infantil, a diabetes tipo 2 e os níveis anormais de colesterol — todos fatores de risco significativos que abrem caminho para doenças cardíacas no futuro.

A Academia Americana de Pediatria e a Associação Americana do Coração indicam alguns conselhos para controlar a quantidade do consumo de açúcar pelas crianças:

Ler atentamente os rótulos de informações nutricionais. Muitos alimentos possuem a indicação do açúcar adicionado separadamente. Também pode encontrar o açúcar adicionado ao ler a lista de ingredientes. O ideal é que uma criança a partir de 2 anos de idade consuma menos de 25 gramas (cerca de 6 colheres de chá) de açúcar adicionado por dia. Devem ser evitados alimentos e bebidas com adição de açúcar para crianças menores de 2 anos.

Servir água e leite. Evitar refrigerantes, bebidas desportivas, chá doce, café adoçado e sumos de frutas. Se a criança não tem alergia ao leite, o leite contém açúcar natural (lactose) e fornece cálcio, proteína, vitamina D e outros nutrientes necessários para as crianças.

Limitar o consumo de sumo de frutas. O sumo contém mais açúcar por porção do que a fruta inteira. A Academia Americana de Pediatria recomenda no máximo 120 ml de sumo de fruta 100% natural por dia para crianças de 1 a 3 anos; de 120 a 180 ml para crianças de 4 a 6 anos; e 240 ml para crianças de 7 a 14 anos. Os bebés menores de 1 ano não devem consumir sumo de fruta.

Optar por alimentos frescos e limitar o consumo de alimentos e bebidas processadas ​​e pré-embalados. Muitas vezes, o açúcar é adicionado a esses produtos durante a preparação ou à mesa. Por exemplo, existem fontes ocultas de açúcar adicionado em alimentos processados ​​como ketchup, cranberries secas, molho para salada e feijão cozido.

Optar por frutas inteiras.

Outras estratégias para combater o risco de doenças cardíacas e obesidade, que andam de mãos dadas com a redução da ingestão de açúcar, incluem o aumento da atividade física e a diminuição do comportamento sedentário. A Academia Americana de Pediatria recomenda 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa por dia e recomenda limites no tempo de uso de écrans e outros dispositivos eletrónicos”, referiu Melissa C. Wallach, pediatra do K. Hovnanian Children’s Hospital.

A Especialista acrescentou: “Para crianças menores de 18 meses, a Academia Americana de Pediatria recomenda zero tempo de écran, enquanto crianças de 2 a 5 anos podem ter até uma hora por dia de uso supervisionado pelos pais ou responsáveis. Para crianças mais velhas, o objetivo é evitar o uso excessivo. Também é importante evitar que o uso de écrans e outros dispositivos eletrónicos interfira no sono, no tempo em família, nas atividades sociais e nos exercícios físicos”.