Dislexia: Neurocientistas descobrem mecanismos neurais envolvidos

Neurocientistas da Universidade Técnica de Dresden descobriram mecanismos neurais da dislexia do desenvolvimento. As pessoas com dislexia têm menos conetividade entre o plano temporal auditivo sensível ao movimento e o tálamo auditivo esquerdo.

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Dislexia: Neurocientistas descobrem mecanismos neurais envolvidos
Dislexia: Neurocientistas descobrem mecanismos neurais envolvidos. Foto: © Rosa Pinto

A dislexia do desenvolvimento é uma das maiores dificuldades de aprendizagem. Para lidar com as dificuldades de leitura e escrita associadas à dislexia têm sido usadas diferentes abordagens terapêuticas e estratégias de aprendizagem, mas até agora a dislexia contínua sem cura.

Em muitas pessoas afetadas só passado muito tempo é que recebam um diagnóstico de dislexia. Uma doença que leva a que crianças com dislexia tenham problemas consideráveis na escola e estejam sob grande pressão emocional na escola e na família.

Muitos adultos com dislexia frequentemente sentem vergonha da sua fraqueza e tentam escondê-la do seu ambiente social e profissional.

Os cientistas têm vindo a interrogar-se do motivo pelo qual crianças e adultos, aparentemente completamente desenvolvidos, normalmente têm problemas de leitura e / ou escrita?

Muitos cientistas pensam que a causa da dislexia é um processamento disfuncional da fala auditiva. No entanto, até hoje, as razões para essas alterações no processamento da fala permanecem desconhecidas. Uma suposição que vem de longa data é que a dislexia do desenvolvimento é causada pela disfunção de estruturas no córtex cerebral.

A neurocientista Katharina von Kriegstein da Universidade Técnica de Dresden e uma equipa internacional de especialistas mostram agora em estudo já publicado que pessoas com dislexia têm uma estrutura fracamente desenvolvida, não localizada no córtex cerebral, mas num estágio de processamento subcortical, ou seja, a conectividade da substância branca entre o plano temporal auditivo sensível ao movimento (mPT) e o tálamo auditivo esquerdo (corpo geniculado medial. (MGB)).

No estudo estive envolvida uma equipa liderada por Katharina von Kriegstein que analisou pessoas com dislexia do desenvolvimento em comparação com pessoas sem dislexia (grupo controlo) e realizou testes de diagnóstico e ressonância magnética do cérebro.

Os neurocientistas usando técnicas especiais de análise, reconstruíram as estruturas de fibra entre o mPT e o MGB, e verificaram que as pessoas com dislexia têm menos conetividade de fibra entre mPT e MGB no hemisfério esquerdo do cérebro do que pessoas do grupo de controlo.

As pessoas do grupo de controlo, em contraste, mostraram conectividade de fibra muito forte entre mPT e MGB, particularmente entre os que tiveram um desempenho extremamente bom no teste de leitura.

“Compreender os mecanismos neurais da dislexia do desenvolvimento será decisivo para o desenvolvimento de diagnósticos precoces e de terapias direcionadas” referiu Katharina von Kriegstein, e acrescentou: “Esperamos que as nossas descobertas deem início a importantes esforços de investigação pela comunidade científica, porque mostram que estruturas cerebrais, que até agora não foram suficientemente estudadas, possam ser muito relevantes para explicar a dislexia do desenvolvimento”.

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