Hospital do Tâmega e Sousa limita mascaras cirúrgicas a uma por dia

Sindicato de Todos os Enfermeiros Unidos – SITEU acusa administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa de, ao limitar as mascaras cirúrgicas a uma por dia, colocar em risco os profissionais de saúde e os doentes.

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Hospital do Tâmega e Sousa limita mascaras cirúrgicas a uma por dia
Hospital do Tâmega e Sousa limita mascaras cirúrgicas a uma por dia. Foto: © Rosa Pinto

O Sindicato de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU) indicou, em comunicado, que a Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) está a limitar a utilização de máscaras cirúrgicas a uma por dia por cada profissional de saúde.

O SITEU indica que o presidente do conselho de administração do CHTS, Carlos Alberto Silva, enviou, hoje, um email a todos os profissionais do CHTS onde refere: “conforme definido pelos responsáveis da implementação das regras ao covid-19, a partir de amanhã será atribuída uma (ÚNICA) máscara cirúrgica a cada colaborador, à semelhança do que já acontece noutras instituições hospitalares por dia”.

No mesmo email o presidente do conselho de administração avisa que “a entrega de máscara será feita junto aos seguranças na entrada principal com validação por leitura do cartão de identificação. O leitor detetará os casos em que já tinha sido atribuída uma máscara nas últimas 12 horas, evitando-se desse modo o uso exagerado de um bem tão escasso.”

O email de Carlos Alberto Silva termina agradecendo “a compreensão e colaboração de todos em mais esta medida de esforço comum para combate a esta pandemia”.

O SITEU refere que esta medida põe em risco os profissionais de saúde e os doentes do CHTS, e considera que o risco de contágio da Covid-19 aumenta exponencialmente se os profissionais forem obrigados a usar apenas uma máscara por turno.

Gorete Pimentel, presidente da direção do SITEU, explicou que “as máscaras, não devem ser usadas por um período superior a 4 horas. Pois perdem a capacidade de filtrar os microrganismos. Assim como se estiverem transpiradas devem ser substituídas imediatamente pelo mesmo motivo”.

E acrescentou: “As máscaras que estão a fornecer são das mais básicas, só fazem proteção de dentro para fora. Num turno de 12h temos obrigatoriamente de comer e de beber. O que fazemos às máscaras quando vamos comer? Retiramos e guardamos no bolso? E se elas tiverem o vírus do lado de dentro, que é o lado para onde respiramos, e como somos um foco de infeção vamos pôr o vírus na parte de fora da máscara”.

Em face da situação a presidente do SITEU alerta que “ao irmos cuidar de um utente, vamos respirar e vamos espalhar o vírus por cima dele, pois este já se encontra do lado de fora da máscara, por esta ter sido manipulada pelo utilizador. Estamos deste modo, a disseminar a infeção para os nossos utentes, que deveríamos proteger”.

Gorete Pimentel pergunta: “Isto sendo feito deliberadamente, não poderá ser considerado crime por disseminação intencional?”, e acrescentou: “ Nunca conseguimos saber se estamos ou não infetados enquanto não tivermos sintomas, e já somos transmissores do vírus se formos portadores. Não adianta lavar as mãos se a máscara, que é para onde respiramos e falamos, está potencialmente infetada”.

O SITEU referiu que lhe têm chegado “apelos de todo o lado a pedir com urgência equipamentos de proteção individual, sejam hospitais, centros de saúde, lares, misericórdias. Todos têm falta de equipamentos de proteção”.

Nesta situação a presidente da direção do SITEU faz a pergunta: “Onde estão os dois milhões de máscaras de reserva prometidas pelo primeiro-ministro?”.

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