Investigação associa dieta mediterrânica a menor risco de todos os tipos de AVC em mulheres

Novo estudo concluiu que seguir a dieta mediterrânica está associado a menor risco de todos os tipos de AVC, em mulheres. A dieta inclui um alto consumo de vegetais, leguminosas, frutas, peixe e azeite, e baixo consumo de laticínios, carne vermelha e gorduras saturadas.

Investigação associa dieta mediterrânica a menor risco de todos os tipos de AVC em mulheres
Investigação associa dieta mediterrânica a menor risco de todos os tipos de AVC em mulheres. Foto: Rosa Pinto

A prática de uma dieta mediterrânica está associada a um menor risco de todos os tipos de AVC, em mulheres, concluiu estudo, agora publicado na Neurology Open Access, revista oficial da Academia Americana de Neurologia. No entanto, o estudo não comprova com evidências que a dieta mediterrânea é a causa do menor risco de AVC, mas mostra haver uma associação.

A investigação mostrou que a dieta está associada a um menor risco de AVC em geral, bem como de AVC isquémico e AVC hemorrágico. O AVC isquémico ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro é bloqueado. É o tipo mais comum de AVC. O AVC hemorrágico é causado por derrame de sangue no cérebro.

Da dieta mediterrânica faz parte um alto consumo de vegetais, leguminosas, frutas, peixes e gorduras saudáveis, como o azeite (de oliveira) e um baixo consumo de laticínios, carnes e ácidos gordos saturados.

Os nossos resultados corroboram as crescentes evidências de que uma dieta saudável é fundamental para a prevenção do AVC”, afirmou a autora do estudo, Sophia S. Wang, do City of Hope Comprehensive Cancer Center, em Duarte, na Califórnia, EUA.

Ficamos particularmente interessados ​​em constatar que essa descoberta se aplica ao AVC hemorrágico, visto que poucos estudos de grande porte analisaram esse tipo de AVC”, acrescentou a investigadora.

O estudo envolveu 105.614 mulheres com idade média de 53 anos, no início do estudo, e sem histórico de AVC. As participantes responderam a um questionário sobre sua dieta no início do estudo. As mulheres receberam uma pontuação de zero a nove com base na proximidade com que seguiam a dieta mediterrânica. Cada participante recebeu um ponto se consumisse acima da média geral da população nas seguintes categorias: cereais integrais, frutas, verduras, legumes, azeite e peixe, além de consumir uma quantidade moderada de álcool. Também recebiam um ponto se consumissem abaixo da média carne vermelha e laticínios. Um total de 30% das participantes obteve pontuação de seis a nove – o grupo com a pontuação mais alta. Receberam a pontuação de zelo a dois 13%, que foi o grupo com a pontuação mais baixa.

As participantes foram acompanhados durante uma média de 21 anos. Durante esse período, ocorreram 4.083 AVCs, sendo 3.358 isquémicos e 725 hemorrágicos. No caso dos AVCs isquémicos, houve 1.058 casos entre as 31.638 pessoas do grupo de maior risco, em comparação com 395 casos entre as 13.204 pessoas do grupo de menor risco. Já no caso dos AVCs hemorrágicos, houve 211 casos no grupo de maior risco, em comparação com 91 no grupo de menor risco.

Quando os investigadores ajustaram os resultados para outros fatores que poderiam afetar o risco de AVC, como tabagismo, atividade física e hipertensão, descobriram que as participantes no grupo com os níveis mais altos de atividade física tinham 18% menos probabilidade de sofrer um AVC do que as do grupo com os níveis mais baixos. As participantes tinham 16% menos probabilidade de sofrer um AVC isquémico e 25% menos probabilidade de sofrer um AVC hemorrágico.

O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade, por isso é animador pensar que melhorar nossa alimentação pode diminuir o risco dessa doença devastadora”, disse Sophia S. Wang, que acrescentou: “São necessários mais estudos para confirmar estas descobertas e nos ajudar a entender os mecanismos por trás delas, para que possamos identificar novas maneiras de prevenir o AVC.