Investigação sobre cérebro e dor ganha bolsa da Fundação Grünenthal

Joana Barroso distinguida pela Fundação Grünenthal com bolsa de 10 mil euros, por projeto de investigação que coloca o cérebro com responsabilidade na dor crónica. A investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto considera que o projeto pode abrir caminhos para o tratamento da dor.

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Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Foto: Rosa Pinto

A Fundação Grünenthal reconheceu, com uma bolsa de 10 mil euros, Joana Barroso, investigadora no Departamento de Biomedicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), pelo projeto de investigação que explora o desempenho do cérebro na dor crónica.

A Bolsa para Jovens Investigadores em Dor foi atribuída pelo trabalho, denominado ‘Dor Crónica e Sensibilização Central em Doentes com Osteoartrose – Da Dinâmica Cerebral aos Resultados Clínicos’. Um trabalho que foi apreciado por um júri que avaliou, entre outros fatores, a pertinência e a originalidade da pergunta de investigação, incluindo a importância e possíveis repercussões científicas e sociais do projeto em si, e também a qualidade do plano de investigação.

A realização do trabalho assentou num projeto de translação em que a investigação experimental em dor encontrasse a investigação clínica.

A escolha de doentes com artrose do joelho como elementos base do estudo não foi aleatória, como explicou Joana Barroso, dado que “estes doentes foram escolhidos porque se sabe que na dor crónica há adaptação do sistema nervoso central, pelo que é seguro afirmar que a dor crónica deve ser entendida não só como uma alteração percetual, mas também como uma consequência da reorganização do sistema nervoso central”.

A investigadora esclareceu, citada em comunicado da Fundação Grünenthal, que “após a cirurgia de prótese, a grande maioria dos doentes fica sem dor, no entanto entre 20 a 30% dos doentes mantêm queixas, mesmo que aparentemente não haja nenhum estímulo, ou seja a prótese está bem do ponto de vista ortopédico”. Esta circunstância leva Joana Barroso a acreditar “que o responsável desconhecido, nesta equação, seja o cérebro e a sensibilização à dor que decorreu previamente.”

Para Joana Barroso “este trabalho possibilita que, no futuro, sejam descobertos neuromarcadores imagiológicos que permitam, não só responsabilizar alguns sistemas do cérebro pela dor, como também abrir novos caminhos no seu tratamento”.

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