Lisboa: Estação Sul e Sueste e Doca da Marinha reabrem ao público

Investimento de 30 milhões de euros reabilita Estação Sul e Sueste e Doca da Marinha e espaços envolventes. Frente ao Terreiro do Paço, o Muro das Namoradeiras foi reconstruído e criado um Centro Interpretativo da História do Bacalhau, no Torreão Nascente.

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Lisboa: Estação Sul e Sueste e Doca da Marinha reabrem ao público
Lisboa: Estação Sul e Sueste e Doca da Marinha reabrem ao público. Foto: © Rosa Pinto

A Estação Sul e Sueste e a Doca da Marinha reabrem depois de obras de reabilitação que permitiram criar melhores condições para a atividade marítimo-turística, transporte fluvial entre as duas margens do Tejo, novos espaços de lazer, esplanadas e um centro de promoção do rio.

O projeto executado pela Associação Turismo de Lisboa (ATL), por incumbência da Câmara Municipal de Lisboa (CML), integra várias obras, todas interligadas, nomeadamente a reconstrução do Muro das Namoradeiras, a retirada do aterro do Cais das Colunas, a reabilitação e equipamento da Estação Sul e Sueste, a criação do Centro Tejo, a reabilitação da Doca da Marinha com quiosques, esplanadas e uma obra artística de Julião Sarmento, bem como a instalação das embarcações tradicionais do Tejo. Faz ainda parte desta renovação o Centro Interpretativo da História do Bacalhau, localizado no Torreão Nascente do Terreiro do Paço.

As obras, agora concluídas, permitiram a valorização cultural, patrimonial e identitária de Lisboa, em que o rio Tejo reforça o seu papel como elemento de união das duas margens e dos ativos culturais e turísticos dos vários municípios da região. Os novos espaços e serviços vai aumentar e dinamizar o comércio, a restauração e as atividades culturais e de animação da Baixa de Lisboa e do Centro Histórico.

As obras de reabilitação envolveram um investimento de 30 milhões de euros, sendo 75% do montante proveniente das taxas turísticas e os restantes 25% de verbas asseguradas pela Associação Turismo de Lisboa.

Muro das Namoradeiras e Aterro do Cais das Colunas

A reconstrução do Muro das Namoradeiras envolveu a inventariação de mais de 400 pedras que haviam sido retiradas do local e se encontravam depositadas nas instalações do Metro da Pontinha e que regressaram ao Terreiro do Paço para serem remontadas de acordo com o traçado original. Os oito candeeiros que tinham sido retirados há mais de duas décadas voltaram também a ser colocados. Foi também retirado o aterro que existia desde essa altura, por causa das obras do Metro, entre o Cais das Colunas e a Praça da Estação Sul e Sueste, recuperando assim o relacionamento pleno com o Tejo que existia antigamente.

Muro das Namoradeiras
Muro das Namoradeiras. Foto: © Rosa Pinto

O espaço público da Praça Sul e Sueste foi requalificado, com alargamento e requalificação do espaço pedonal e zona verde. Foram também garantidos os interfaces de transportes públicos, nomeadamente para táxis, autocarros da Carris e autocarros de circuitos organizados, tendo ainda sido definida a zona para cargas e descargas. A saída de Metro para a zona poente da Praça, que se encontrava encerrada, foi reabilitada e aberta de novo.

O projeto de reconstrução do Muro das Namoradeiras e de reabilitação da Praça da Estação Sul e Sueste, que envolvem uma área de intervenção com cerca de 13 mil metros quadrados, são da responsabilidade dos arquitetos Bruno Soares e Pedro Trindade.

Estação Sul e Sueste

A Estação Sul e Sueste, da autoria de Cottinelli Telmo (1897-1948), foi inaugurada oficialmente a 28 de maio de 1932. Projetada para ligar Lisboa ao Barreiro por via fluvial, assegurando a ligação ferroviária entre o norte e o sul, foi, durante muito tempo, a porta de entrada para quem vinha do sul do país.

É um extraordinário exemplo de pioneirismo no panorama da arquitetura modernista em Portugal e está classificada como Monumento de Interesse Público.

Estação Sul e Sueste
Estação Sul e Sueste. Foto: © Rosa Pinto

Depois de ter sido bastante adulterado ao longo dos anos, este edifício emblemático recupera o traço e a sua função original, pelas mãos da arquiteta Ana Costa. A estação transforma-se no ponto central da atividade marítimo-turística do Tejo.

A sala principal da estação está agora devidamente equipada, respeitando a modernidade, escala e proporção que sempre a caracterizou, foi dotada de oito bilheteiras de operadores que disponibilizam passeios turísticos, táxi barcos e viagens Hop On Hop Off no Tejo. Estes operadores passam a utilizar também a Estação para embarque e desembarque dos seus passageiros de turismo.

A Estação Sul e Sueste vai acolher também a caravela Vera Cruz, pertencente à Aporvela, que ficará aberta a visitas. Trata-se de uma réplica da caravela de Pedro Alvares Cabral, que foi construída no âmbito das comemorações dos 500 anos da chegada ao Brasil.

A sala de espera da 1.ª classe passa a ser uma cafetaria, com esplanada e entrada pelo interior e exterior da estação, com os antigos azulejos, da autoria do pintor Alves de Sá (1878-1972), restaurados. Também surge um novo quiosque com esplanada e uma zona de estadia junto ao rio.

Mantém assegurada a articulação e ligação física com o terminal fluvial da Transtejo/Soflusa que faz ligação ao Barreiro. Foi instalada sinalética exterior a partir da estação da Transtejo e da Estação do Metro e um WC público.

A Estação Sul e Sueste acolhe também o Centro Tejo, que tem como objetivo promover o rio e a oferta dos municípios da região de Lisboa que estão em seu redor.

Centro Tejo

No espaço que liga a sala principal da Estação Sul e Sueste ao terminal fluvial da Trantejo/Soflusa foi criado o Centro Tejo, um projeto do arquiteto Pedro Mendes Leal, em parceria com o arquiteto Tiago Silva Dias. O visitante é convidado a descobrir o Tejo através de várias salas que se interligam entre si com temáticas diferenciadas.

Na sala da maqueta, onde antigamente era a sala de espera da 2ª classe, é possível conhecer o efeito determinante das marés na vida do Estuário, pois a mesma contém água e um sistema acionado por botões que permite fazer essa simulação. Na baixa mar vê-se uma enorme planície de iodo, onde vivem milhares de invertebrados marinhos que são a base da alimentação das aves aquáticas. Na subida da maré, esta planície fica inacessível e as aves procuram refúgio nas proximidades. No pinhal, centenas de garças constroem os ninhos. Também os flamingos abundam devido à existência de artémia, um crustáceo que origina a sua cor rosada.

Centro Tejo
Centro Tejo. Foto: © Rosa Pinto

Esta maqueta tem também a localização de museus, miradouros, moinhos de maré ou até mesmo a sinalização da área dos municípios que circundam o Tejo (Almada, Alcochete, Barreiro, Loures, Moita, Montijo, Seixal e Vila Franca de Xira, além de Lisboa), permitindo ao visitante perceber como o Tejo é um ponto de união das duas margens.

Na sala “Lugares” existem seis faróis onde são transmitidos vídeos sobre a oferta turística de Lisboa, Almada/Cacilhas, Moita/Barreiro, Montijo/Alcochete, Seixal e Vila Franca de Xira/Loures, mas também uma ilustração com um mapa que contém sugestões de visita, feito propositadamente para o efeito, o qual permite apreciar imagens dos locais assinalados através de QR codes.

Há ainda um espaço dedicado às pessoas com profissões ou atividades ligadas ao Tejo, onde poderão ver-se hologramas com depoimentos de António Antunes Dias, fundador da Reserva Natural do Estuário do Tejo, João Matias Marques, salineiro, Jaime Costa, mestre no Estaleiro Naval Jaime Costa, Susana Rosa, bióloga, Manuel Bonega, pescador, e João Gregório, mestre do varino Boa Viagem.

O espaço contém ainda informação sobre o local, sobre os principais acontecimentos associados à Estação Sul e Sueste ao longo dos tempos e sobre o ecossistema do estuário e as embarcações tradicionais.

O Centro Tejo tem ainda um Posto de Informação e Loja dedicados à disponibilização de informação útil sobre passeios para descoberta do Tejo e venda de artigos alusivos ao rio.

Doca da Marinha

A Doca da Marinha foi reabilitada e agora aberta ao público pela primeira vez na sua história, tornando-se um grande espaço aberto para fruição de todos. O espaço está dotado de ciclovia, arborizado, quiosques, esplanadas, áreas de lazer e lugar para eventos culturais, bem como um vasto relvado. A doca dispõe de pontões flutuantes para acolher embarcações tradicionais. O projeto é da autoria do arquiteto João Luís Carrilho da Graça.

A primeira referência a embarcações tradicionais do Tejo foi feita por Estrabão, no século I AC, sendo que em 1820 existiam 2200 embarcações a circular no Estuário que, mais tarde, estiveram em risco de extinção com a diminuição do tráfego fluvial. Com o apoio da Marinha do Tejo, este património é agora valorizado, através da instalação de 25 embarcações tradicionais que rematam com a sua beleza o usufruto e movimento na Doca da Marinha e disponibilizam um diversificado leque de passeios no Tejo.

Doca da Marinha
Doca da Marinha. Foto: © Rosa Pinto

Nos quiosques concebidos no projeto de Carrilho da Graça foi feita uma instalação artística de Julião Sarmento, um conjunto de pinturas retro-iluminadas nas cores primárias (azul, amarelo e vermelho, a que se adiciona o branco) que se encontra visível nas faces dos três quiosques de apoio a esplanadas e no de informação e venda de bilhetes para os passeios nas embarcações tradicionais, que também dispõe de WC público.

A concessão dos três quiosques/esplanadas foi atribuída ao grupo BANANACAFE que, para além de ficar responsável pela oferta gastronómica de refeições rápidas e ligeiras, irá implementar um programa de animação anual e eclético. O quiosque de informação e venda de bilhetes será gerido pela ATL.

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