Restrições de viagem na fase inicial da epidemia por coronavírus são as que têm maior efeito

Investigadores mostraram restrições de viagem e de mobilidade são mais úteis quando adotadas no início, quando a transmissão local ainda não se tornou um fator de propagação. O distanciamento físico e a quarentena de doentes funciona, mas leva tempo.

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Restrições de viagem na fase inicial da epidemia por coronavírus são as que têm maior efeito
Restrições de viagem na fase inicial da epidemia por coronavírus são as que têm maior efeito. Foto: © Rosa Pinto

Estudo de análise sobre a mobilidade humana e os dados epidemiológicos do surto do novo coronavírus mostrou que quanto mais cedo foram implementadas medidas de restrição de viagens maior impacto tiveram na prevenção ou contenção da propagação da epidemia e que esse impacto diminui à medida que a epidemia cresce.

O estudo de investigação, liderado pela University of Oxford e Northeastern University, mostra que “a mobilidade humana era preditiva da propagação da epidemia na China”, mas “as restrições de viagens em Wuhan chegaram tarde demais” e os investigadores mostraram “que o impacto das restrições de viagens diminui à medida que a epidemia cresce”.

Os investigadores referem que “as províncias, de fora de Hubei, que agiram cedo testando e rastreando e contendo casos importados da COVID-19, tiveram melhor desempenho na prevenção ou contenção de surtos locais”.

O estudo indica que dados de geolocalização móvel da Baidu Inc, combinados com um conjunto de dados epidemiológicos do Open COVID-19 Data Working Group, mostraram que “a transmissão local de pessoa para pessoa ocorreu extensivamente no início do surto de coronavírus e foi atenuada por medidas drásticas de controlo”.

Mas os investigadores referem que “com um período médio de incubação de 5 a 14 dias, em alguns casos, essas restrições de mobilidade não começaram a mostrar de imediato os efeitos positivos durante mais de uma semana, e que a situação pareceu piorar nos 5 a 7 dias imediatamente ao bloqueio, pois a transmissão local já estava em andamento”.

Entre os casos relatados fora de Hubei, 515 tinham um histórico de viagens conhecido a Wuhan, e com data de início dos sintomas antes de 31 de janeiro de 2020, em comparação com apenas 39 após 31 de janeiro, o que ilustra o efeito das restrições de viagens na diminuição da propagação para outras províncias chinesas.

“As nossas descobertas mostram que, no início do surto de coronavírus, as restrições de viagem foram eficazes para impedir a importação de infeções de uma fonte conhecida”, referiu Moritz Kraemer, da University of Oxford.

O investigador refere que “quando os casos da COVID-19 começam a espalhar-se localmente, a contribuição de novas importações é muito menor. É aqui que um pacote completo de medidas, incluindo restrições de mobilidade local, testes, rastreamento e isolamento, são necessárias para em conjunto mitigar a epidemia”.

As províncias chinesas e outros países que interromperam com sucesso a transmissão interna da COVID-19 necessitam de considerar cuidadosamente como gerir o restabelecimento de viagens e a mobilidade para evitar a reintrodução e a disseminação da doença nas suas populações.

Samuel V. Scarpino, investigador da Northeastern University, acrescentou: “Em muitos países, a decisão política está atrasada em relação à disseminação da COVID-19”.

“As restrições de viagem e mobilidade são as mais úteis logo no início, quando a transmissão local ainda não se tornou um fator. Depois que a transmissão é estabelecida, o distanciamento físico e a quarentena de indivíduos doentes funcionam, mas isso leva tempo”.

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