Fundação Bial reúne cientistas mundiais para debater experiências de fim de vida em Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”

Fundação Bial reúne cientistas mundiais para debater experiências de fim de vida em Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”
Fundação Bial reúne cientistas mundiais para debater experiências de fim de vida em Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”

Ao longo dos tempos, a morte, universal e inevitável, permanece um dos fenómenos mais desafiantes e enigmáticos da condição humana. A Fundação Bial está a promover, entre os dias 8 e 11 de abril, na Casa do Médico, no Porto, o 15º Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”, dedicado ao tema “Experiências de fim de vida”.

Durante os quatro dias estão no centro do debate algumas questões que cruzam ciência, filosofia e cultura, como: Será a morte um instante ou um processo? O que acontece no cérebro quando a vida termina? O que relatam as pessoas que viveram experiências de quase morte? E de que forma diferentes culturas interpretam e preparam este momento?

A iniciativa da Fundação Bial reune alguns dos mais destacados investigadores internacionais nas áreas das neurociências, psicologia e filosofia, num diálogo interdisciplinar sobre o que é hoje cientificamente conhecido acerca dos processos de fim de vida, bem como sobre as suas implicações na forma como compreendemos a realidade.

“O que há de novo neste simpósio é provavelmente o facto de o seu tema ser tão desafiante e tão fascinante que talvez tenha sido negligenciado durante demasiado tempo”, referiu, citado em comunicado, Axel Cleeremans, presidente da Comissão Organizadora do Simpósio.

Principais destaques do 15.º Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”

Dia 8 de abril, às 18h30 – Abertura

Palestra de abertura pelo neurocientista Christof Koch, de Seattle, EUA, que introduziu as principais questões científicas e filosóficas associadas às experiências de fim de vida.

Dia 9 de abril, às 09h00

Primeira sessão dedicada aos “Processos de fim de vida” foi moderada por Helané Wahbeh, Novato, EUA, que explorou os múltiplos processos que ocorrem à medida que a morte se aproxima. Michael Rera, Paris, França, abordou a biologia do processo de morrer, Daniel Kondziella, Copenhaga, Dinamarca, refletiu sobre a origem evolutiva das experiências de quase morte, e Marjorie Woollacott, Eugene, EUA, centrou a sua intervenção na lucidez terminal. A sessão encerrou com uma conferência por Michael Nahm, Freiburg, Alemanha, que apresentou uma síntese dos fenómenos invulgares associados ao fim de vida.

Dia 10 de abril, às 09h00

Segunda sessão dedicada ao tema “Momentos de fim de vida”, com moderação de Etzel Cardeña, Lund, Suécia, que abordará as experiências de quase morte. Janice Holden, Denton, EUA, analisará relatos de experiências anómalas, Charlotte Martial, Liège, Bélgica, apresentará uma perspetiva neurocientífica sobre o fenómeno e Bárbara Gomes, Coimbra, Portugal, refletirá sobre o que é mais importante para as pessoas nos seus últimos momentos de vida.

A conferência de Jim Tucker, Charlottesville, EUA, abordará relatos de memórias de vidas passadas em crianças, levantando questões sobre a sua interpretação.

Há crianças que, desde muito cedo, relatam memórias de vidas que dizem ter vivido antes da atual. Coincidência, construção psicológica ou um fenómeno ainda por explicar? A questão tem orientado a investigação de Jim Tucker, psiquiatra infanto-juvenil.

Ao longo de mais de seis décadas, foram documentados mais de 2.500 casos deste tipo em diferentes partes do mundo. Jim Tucker irá analisar os padrões mais frequentes dos relatos, incluindo descrições detalhadas que, em alguns casos, correspondem a pessoas reais já falecidas, por vezes sem qualquer ligação aparente às famílias das crianças.

O investigador também irá explorar as diferentes hipóteses explicativas, desde mecanismos psicológicos e culturais até abordagens que desafiam os modelos convencionais da consciência e da memória.

Dia 11 de abril, às 09h00

A terceira e última sessão é dedicada às “Crenças e impactos de fim de vida” e moderada por Veena Kumari, Londres, UK, irá analisar o modo como diferentes culturas e contextos experienciam a morte. Mira Menzfeld, Zurique, CH) apresentará uma abordagem etnográfica, Allan Kellehear, Newcastle upon Tyne, Reino Unido, explorará antropologicamente a experiência da morte, e Marieta Pehlivanova, Charlottesville, EUA, abordará o impacto das experiências de quase morte. A sessão encerra com uma conferência de Fanny Charrasse, Bruxelas, Bélgica, dedicada às interpretações xamânicas e psicológicas associadas a rituais com Ayahuasca.

Do programa do simpósio consta ainda:

Dia 9 de abril, à tarde, investigadores apoiados pela Fundação Bial apresentaram os seus trabalhos numa sessão de apresentações orais moderada por Mário Simões, Lisboa, Portugal, que proporcionou uma visão sobre a investigação atualmente em curso no domínio da mente e da consciência.

Dia 10 de abril, à tarde, decorrerão quatro workshops participativos:

No Workshop 1, Rainer Goebel, Maastricht, Países Baixos, e Stefan Schmidt, Freiburg, Alemanha, irão dialogar com o convidado Yesche Regel, Bonn, Alemanha, sobre a forma como a tradição budista concebe a morte.

No Workshop 2, moderado por Chris Roe, Northampton, Reino Unido, Etzel Cardeña e Marieta Pehlivanova, farão uma exploração aprofundada das experiências de quase morte.

No Workshop 3, conduzido por Rui Costa, Seattle, EUA, e com a participação de Julia Verne e Maggie Doherty , Londres, Reino Unido, serão abordadas dimensões pessoais e sociais dos cuidados paliativos.

No Workshop 4, moderado por Miguel Castelo-Branco, Coimbra, Portugal, Bárbara Gomes conduzirá uma sessão íntima e interativa, em que os participantes poderão partilhar o que mais valorizam no fim de vida.

No dia 11 de abril, à tarde, decorrerá uma mesa-redonda moderada por Axel Cleeremans, Bruxelas, Bélgica, com a participação de vários oradores convidados, num momento final de síntese e diálogo com o público.