Parlamento Europeu aprova recomendações para uma Lei Europeia dos Oceanos que proteja os pescadores

Parlamento Europeu aprova recomendações para uma Lei Europeia dos Oceanos que proteja os pescadores
Parlamento Europeu aprova recomendações para uma Lei Europeia dos Oceanos que proteja os pescadores. Foto: Rosa Pinto

Os eurodeputados pretendem uma lei europeia dos Oceanos que proteja os pescadores e os produtores aquícolas dos desequilíbrios de poder num espaço marítimo cada vez mais competitivo, e para isso propõem várias recomendações para os futuros regulamentos.

Os pescadores e os produtores aquícolas sofrem atualmente as consequências da aplicação desigual da Diretiva do Ordenamento do Espaço Marítimo, que leva cada vez a mais conflitos sobre a utilização do espaço por diferentes agentes económicos e do acesso às zonas marítimas.

Os pescadores e os aquicultores não devem ser sacrificados no ordenamento do espaço marítimo. A coexistência justa de atividades é essencial para o futuro dos nossos setores marítimos, o respeito pelas pessoas que trabalham no mar e a saúde dos nossos ecossistemas marinhos”, afirmou a eurodeputada relatora, Stéphanie Yon-Courtin

Zonas prioritárias para a pesca e aquicultura

Os eurodeputados apoiam a criação de zonas prioritárias para as pescas, adaptadas aos diferentes segmentos da frota e bacias marítimas, incluindo zonas reservadas à pesca artesanal. Assim, querem que a Comissão e os Estados-Membros reconheçam as pescas como um utilizador estratégico e prioritário do espaço marítimo que contribui para a soberania e a segurança alimentares da UE, além de ser uma importante fonte de emprego nas comunidades costeiras da UE.

A pesca e a aquicultura devem ser formalmente reconhecidas no direito da UE como setores estratégicos essenciais para a soberania alimentar e o desenvolvimento das regiões costeiras, com espaço garantido nos planos de ordenamento do espaço marítimo, zonas prioritárias para a pesca e a aquicultura e a participação obrigatória de profissionais na gestão do espaço marítimo”, afirmou Stéphanie Yon-Courtin.

Os eurodeputados também querem que a Comissão Europeia integre melhor a aquicultura no ordenamento do espaço marítimo e pondere avançar com uma política comum de aquicultura. Além disso, apelam à criação de espaços marítimos específicos para zonas de desenvolvimento sustentável da aquicultura, em que os procedimentos de licenciamento sejam facilitados e os obstáculos regulamentares reduzidos.

Utilização equilibrada do espaço marítimo e participação dos pescadores

A coexistência entre as pescas e as infraestruturas de energias renováveis é limitada, assim, os eurodeputados defendem a necessidade de utilizar critérios técnicos e científicos na designação de zonas multiusos.

Nesta área de utilização do espaço marítimo os eurodeputados defendem que os pescadores devem ser consultados e ter voz ativa da decisão de atribuir uma zona marítima a projetos de parques eólicos, e defendem também a necessidade de se realizarem estudos do impacto socioeconómico nas pescas e na aquicultura, neste contexto.

É defendido pelos eurodeputados que os pescadores e as partes interessadas devem participar ativamente na conceção, gestão e avaliação das zonas marinhas protegidas, para uma melhor conciliação das atividades económicas com a proteção do ambiente.

Na perspetiva da futura Lei dos Oceanos da UE, apelamos a uma revisão da Diretiva do Ordenamento do Espaço Marítimo. A revisão deve assegurar uma melhor coordenação e equilíbrio do planeamento, a plena participação dos profissionais da pesca e das partes interessadas nas decisões, o reforço das estratégias de planeamento transfronteiriço e macrorregional e a garantia de um lugar das pescas e da aquicultura no espaço marítimo”, concluiu a eurodeputada.

Melhor planeamento transfronteiriço e medidas para combater a erosão costeira

O Parlamento Europeu também considera que a Comissão Europeia e os Estados-Membros devem complementar os planos nacionais com estratégias para as bacias marítimas, desenvolver o planeamento macrorregional e reforçar a cooperação com os países costeiros vizinhos de fora da UE.

Para atenuar o impacto das alterações climáticas os eurodeputados defendem uma integração no ordenamento do espaço marítimo e consideram a necessidade de um plano europeu para a resiliência costeira. Medidas que poderão resolver questões que afetam as pescas, como a erosão costeira, o aumento da temperatura da água, as espécies invasoras, a acidificação dos oceanos ou a poluição.