
A Moderna, biotecnológica especializada em medicamentos de mRNA, anunciou que, após a autorização do Ministério da Saúde do Canadá deu início a um ensaio clínico de uma vacina de mRNA experimental para prevenir a doença Ébola causada pelo vírus Bundibugyo.
A vacina candidata mRNA-1469 está sendo desenvolvida usando a plataforma de mRNA da Moderna, a mesma tecnologia que demonstrou desenvolvimento rápido, escalabilidade e capacidade de implementação global durante a pandemia de COVID-19. O programa também se baseia nos esforços de investigação e desenvolvimento já existentes da Moderna em filovírus, incluindo o vírus relacionados ao Ébola.
“A vacinação dos primeiros participantes com a mRNA-1469 representa um marco importante no desenvolvimento de uma vacina candidata contra o vírus Bundibugyo, para o qual não existe atualmente nenhuma vacina aprovada“, disse, citado em comunicado, Stéphane Bancel, CEO da Moderna. “Agradecemos à Coligação para Inovações em Preparação para Epidemias, ao Ministério da Saúde do Canadá, aos investigadores e aos participantes do estudo pelas suas contribuições para o avanço deste trabalho.”
A vacina mRNA-1469 está a ser desenvolvida no âmbito da colaboração estratégica ampliada da Moderna com a Coligação para Inovações em Preparação para Epidemias, que se comprometeu a investir até 50 milhões de dólares no apoio a testes pré-clínicos e em ensaio clínico de Fase 1. Um apoio que também facilitará a produção em larga escala de doses adicionais para o ensaio clínico, em paralelo com o desenvolvimento clínico inicial. A Moderna refere que a abordagem tem como objetivo permitir iniciar rapidamente ensaios de Fase 2 e Fase 3 em maior escala, no caso dos resultados da Fase 1 justificarem a passagem para as novas fases.
“A rápida entrada da vacina candidata da Moderna na Fase 1 de ensaios clínicos representa um grande avanço na luta contra esse surto mortal“, afirmou Richard Hatchett, CEO da Coligação para Inovações em Preparação para Epidemias.
“Esta epidemia de rápido crescimento já é o segundo maior surto de Ébola da história, e os casos estão a aumentar mais rapidamente do que na epidemia da África Ocidental de 2014 a 2016, que continua a ser a maior já registada. Cada dia é crucial, e cada vacina candidata em ensaios clínicos dá-nos mais uma possibilidade de disponibilizar uma vacina segura e eficaz para as pessoas que precisam dela o mais rápido possível“, acrescentou Richard Hatchett.
O primeiro estudo de Fase 1, em humanos, está sendo conduzido em três locais no Canadá e avaliará a segurança, tolerabilidade e imunogenicidade da vacina mRNA-1469 em participantes adultos saudáveis. O estudo deverá envolver aproximadamente 80 participantes.
O vírus Bundibugyo é um dos vírus que pode causar a doença Ébola e foi responsável pelo surto ativo na República Democrática do Congo. Embora existam vacinas disponíveis contra o vírus Zaire que causa, também, a doença Ébola, não existe atualmente qualquer vacina aprovada para proteger contra a doença causada pelo vírus Bundibugyo.
O surto de Ébola causado pelo vírus Bundibugyo foi declarado uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e uma Emergência de Saúde Pública de Segurança Continental pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC). O vírus já causou mais de 3.000 casos confirmados e mais de 1.400 mortes, tornando-se um dos maiores surtos de filovírus da história.














