
Quatro investigadoras nas áreas da oncologia, imunologia, energias renováveis e biotecnologia foram distinguidas com Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência. Uma distinção pelo Programa Fundação L’Oréal-UNESCO ‘For Women in Science’.
Nesta 22.ª edição das Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência, Ana Esteves, Cláudia Martins, Fátima Santos e Inês Alves foram as vencedoras entre dezenas de outras investigadoras candidaturas. A seleção foi feita por um júri científico de referência, que teve em conta o rigor e impacto social das investigações das jovens cientistas nas áreas da saúde e da sustentabilidade ambiental.
Às vencedoras é atribuído um prémio individual de 15 mil euros, que possui o objetivo de auxiliar a viabilizar a execução dos projetos, considerados pelo júri como promissores.
Mas as Medalhas de Honra L’Oréal Portugal também são uma forma de homenagear o talento feminino, como aconteceu na cerimónia de entrega das medalhas dia 16 de setembro, no Teatro da Luz, em Lisboa. Ainda, uma sessão promoveu um debate estratégico focado na transformação do conhecimento académico em soluções concretas para a sociedade e a economia. Uma sessão em dois painéis temáticos:
- “Ciência com impacto: como transformar conhecimento em inovação e competitividade”: Debateu a valorização económica da investigação com as intervenções de Madalena Alves, Presidente do Conselho Diretivo da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Teresa Pinto Correia, Vice-Presidente da AI², Raquel Ascensão, Vice-Presidente do INFARMED, e Fátima Godinho Carvalho, Diretora Executiva e Diretora Técnica do Laboratório de Estudos Farmacêuticos, do Grupo ANF.
- “Os projetos distinguidos: um novo passo num percurso desafiante”: Um painel conduzido por Alexandre Quintanilha, Presidente do júri científico, que deu voz às quatro investigadoras premiadas para partilharem os desafios da carreira no feminino e a aplicação clínica e industrial dos projetos.
A cerimónia de entrega das medalhas colocou no centro do palco e sob os holofotes do debate público as quatro investigadoras, e onde marcaram presença diversas personalidades do ecossistema político, científico e diplomático nacional, nomeadamente o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o Embaixador de França em Portugal,
Jean-Pierre Asvazadourian, a madrinha da iniciativa, Maria Cavaco Silva, e a Vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, Maria Luísa Aldim.
As cientistas vencedoras e respetivos projetos de investigação
Ana Esteves: LEPABE, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
O projeto de investigação procura identificar novas estratégias que tornem a produção de microalgas mais eficiente, sustentável e economicamente viável, e abrir caminho à utilização destes organismos em larga escala pela indústria. O projeto explora o efeito combinado de diferentes espetros de luz e frequências sonoras para promover o crescimento e induzir o agrupamento natural das microalgas, facilitando a sua separação da água com menor consumo de energia e sem aditivos químicos. Numa fase posterior, é previsto que venha a integrar modelos de inteligência artificial para otimizar os processos no âmbito da bioeconomia circular.
Cláudia Martins: i3S, Universidade do Porto
Estudar uma nova forma de combater as células cancerígenas residuais de glioblastoma é o objetivo do projeto, neste caso estudar o tumor cerebral maligno mais frequente e agressivo em adultos e que permanecem no cérebro após a intervenção cirúrgica. A investigadora Cláudia Martins desenvolve no seu estudo um pequeno implante concebido para ser colocado no local onde o tumor foi removido, atuando como um reservatório inteligente de medicamentos. O dispositivo combina a libertação faseada e localizada de quimioterapia, o bloqueio dos mecanismos de resistência celular e uma terapia inovadora para travar a proliferação tumoral.
Fátima Santos: Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
A investigação centra-se no desenvolvimento de uma nova geração de células fotovoltaicas sensibilizadas por corante capazes de captar a luz ambiente existente em espaços interiores (casas e escritórios) e transformá-la em eletricidade. Através do projeto TAMODI, a tecnologia pretende alimentar dispositivos de baixo consumo energético e sensores da Internet das Coisas (IoT) sem depender da substituição de baterias, podendo ser integrada em superfícies como janelas para rentabilizar a luz interior e exterior.
Inês Alves: i3S, Universidade do Porto
Neste caso a glicoimunologista pretende identificar as alterações dos açúcares que envolvem a superfície celular dos tecidos afetados pelo Lúpus Eritematoso Sistémico e compreender de que forma contribuem para a resposta anómala do sistema imunitário. Como o lúpus afeta maioritariamente mulheres e apresenta um diagnóstico frequentemente demorado, a identificação destes padrões de açúcares alterados e anticorpos trará uma janela de oportunidade para detetar a doença numa fase precoce e evitar danos irreversíveis nos órgãos e tecidos.













