
A casca do maracujá-roxo pode ajudar a reduzir a inflamação e o stress oxidativo associados à asma. A conclusão é de um estudo de investigação que aponta para os benefícios deste subproduto da indústria alimentar que é rico em fibra e compostos bioativos.
O estudo da Universidade de Aveiro (UA) identificou efeitos positivos da casca do maracujá-roxo na resposta antioxidante do organismo e na modulação da inflamação das vias respiratórias. Para os investigadores os resultados do estudo, elaborado em ratos, abrem novas perspetivas para a sua utilização como coadjuvante nutricional no apoio ao controlo da doença.
Em comunicado, a UA refere que o estudo, já publicado na revista “Food Research International”, avaliou o potencial do pó de casca de maracujá-roxo na alimentação, uma matriz rica em fibras alimentares e contendo um perfil diversificado de compostos bioativos, e os resultados vieram mostrar que o consumo não provocou efeitos adversos nos parâmetros de segurança usados para avaliação. Assim, foi considerado um coadjuvante dietético seguro, minimamente processado e sustentável para mitigar a inflamação e o stress oxidativo na asma.
Na concentração mais elevada testada, a suplementação reforçou as defesas antioxidantes do organismo, com aumentos significativos de importantes mecanismos de proteção celular. Registou-se também uma redução dos níveis de imunoglobulina E (IgE), associada às respostas alérgicas, e de duas moléculas envolvidas na inflamação das vias respiratórias. Estes resultados foram acompanhados por uma menor presença de células inflamatórias no tecido pulmonar.
Os investigadores referem que o pó de casca de maracujá-roxo demonstra potencial como estratégia nutricional de suporte e adjuvante dietético para complementar as terapias convencionais no tratamento da asma, auxiliando na mitigação da inflamação das vias aéreas e do stress oxidativo.
No entanto, os investigadores lembram que a casca de maracujá-roxo posiciona-se como “um coadjuvante nutricional, e não como uma alternativa à farmacoterapia aguda, como os corticosteroides inalatórios.”

É clarificado que “enquanto os medicamentos padrão para asma dependem fortemente da inalação para maximizar a eficácia rápida e localizada, a via de administração oral do pó casca de maracujá-roxo é fundamental para o seu mecanismo de ação proposto.”
A administração oral do pó casca de maracujá-roxo “permite que a matriz do alimento integral, particularmente o seu alto teor de fibras alimentares, interaja com a microbiota intestinal, uma etapa necessária para a geração de metabólitos que podem ser responsáveis pela imunomodulação do eixo intestino-pulmão sistémico.”
Os resultados apontam, assim, para o potencial da casca de maracujá-roxo enquanto coadjuvante nutricional no apoio ao controlo da asma, contribuindo simultaneamente para a valorização sustentável de um subproduto da indústria alimentar.
Os investigadores também consideram que “estudos futuros devem concentrar-se na avaliação da hiperresponsividade das vias aéreas para confirmar se os benefícios imunológicos e antioxidantes se traduzem em melhora da função pulmonar”.
Também devem ser considerados “estudos de longo prazo e avaliações de tratamento combinado com medicamentos farmacológicos padrão também são necessários.”
No estudo participaram os investigadores Alexandre Fonseca, Cátia Vieira, Adelaide Almeida, Armado Silvestre e Sílvia Rocha, das unidades de investigação LAQV-REQUIMTE – Laboratório Associado para a Química Verde, CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro e CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar.
O trabalho contou com a colaboração de cientistas da Universidade Estadual De Campinas, do Brasil, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, do Brasil, e da Universidade de Coimbra.














