
Num estudo já publicado na “JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery” é descrito que pacientes com cancro da cabeça e pescoço que receberam quimioterapia em conjunto com imunoterapia antes da cirurgia apresentaram uma redução significativa no tamanho do tumor no momento da operação, em comparação com pacientes que receberam apenas imunoterapia.
O estudo “Resposta patológica após quimioimunoterapia neoadjuvante em carcinomas de células escamosas de cabeça e pescoço” é considerado único: Até onde sabemos, este é o primeiro estudo a utilizar dados do mundo real para comparar a imunoterapia isolada com a imunoterapia combinada com quimioterapia antes da cirurgia em pacientes com cancro da cabeça e pescoço. Embora alguns especialistas tenham questionado se a adição de quimioterapia melhora os efeitos da imunoterapia, este estudo constatou que a combinação levou a uma redução muito maior no tamanho e na viabilidade do tumor no momento da cirurgia.
Por que este estudo é importante: Trabalhos anteriores de nossos pesquisadores sugeriram que essa abordagem combinada pode ser administrada com segurança em pacientes selecionados adequadamente. Este estudo demonstra ainda que essa abordagem não só é segura, como também produz uma resposta pré-operatória mais forte ao cancro.
Como foi conduzida a investigação: O estudo analisou o atendimento prestado a pacientes no Mount Sinai Health System durante um período de dois anos. Os investigadores revisaram os prontuários de 86 adultos com cancro de cabeça e pescoço que foram tratados antes da cirurgia entre julho de 2024 e março de 2026. Desses pacientes, 58 receberam imunoterapia combinada com quimioterapia e 28 receberam apenas imunoterapia. A maioria dos pacientes recebeu dois ciclos do tratamento predeterminado antes de se submeter à cirurgia.
Os resultados: Após a cirurgia, os patologistas examinaram os tumores removidos dos pacientes para verificar a quantidade de cancro residual. Dos pacientes que receberam quimioterapia e imunoterapia, aproximadamente dois terços não apresentavam cancro ou apresentavam uma quantidade muito pequena de cancro residual no momento da cirurgia, enquanto apenas um dos 28 pacientes, que receberam apenas imunoterapia, apresentou o mesmo resultado.
O que este estudo significa para os pacientes: Administrar quimioterapia combinada com imunoterapia antes da cirurgia provavelmente pode destruir mais tumor do que a imunoterapia isoladamente em pacientes com cancro da cabeça e pescoço.
Tradicionalmente, pacientes que necessitam de cirurgia consultam o médico cirurgião antes de aguardar até seis semanas pela operação, sem receber qualquer tratamento oncológico durante esse período. Neste estudo, os pacientes receberam dois ciclos de imunoterapia isolada ou quimioterapia combinada com imunoterapia no período pré-operatório, proporcionando-lhes terapias oncológicas ativas e benéficas enquanto aguardavam a cirurgia.
O que este estudo significa para os médicos: Estas descobertas apoiam a realização de análises adicionais sobre a quimioterapia combinada com imunoterapia antes da cirurgia, em ensaios clínicos com amostras maiores, com o objetivo final de desenvolver terapias mais eficazes para combater o cancro antes da cirurgia. Isso permitirá que os médicos individualizem ainda mais o tratamento do cancro da cabeça e pescoço, determinando quais pacientes precisam de uma terapia mais agressiva e quais podem evitar tratamentos desnecessários.
Quais os próximos passos para este trabalho: São precisas respostas pré-operatórias mais eficazes levam a melhores taxas de sobrevida a longo prazo, bem como a menores taxas de recorrência. Isto já foi demonstrado em outros tumores sólidos, como cancro do pulmão, colorretal ou de mama, mas é preciso analisar no cancro da cabeça e pescoço.
“Neste estudo, descobrimos que a combinação de quimioterapia com imunoterapia antes da cirurgia levou a uma destruição muito maior do tumor do que a imunoterapia isoladamente”, afirmou Scott Roof, Mount Sinai Health System. “O nosso trabalho está longe de estar concluído e são necessários testes adicionais com amostras maiores, mas essas descobertas representam um primeiro passo importante para oferecer uma abordagem mais personalizada ao tratamento do cancro da cabeça e pescoço”, concluiu o investigador.














